domingo, 8 de novembro de 2015

CIÊNCIA E ABUNDANTE POESIA

ANDARILHA DOS SONHOS

-  ciência e história rimam em poesia palpável pelas mãos do coração -

" Ressignificar a ciência é como abrir portas para a compreensão do mundo e sua preservação consciente. Museus não são arquivos do passado... podem ser luz para um futuro saudável." Ivane

                                  Um diálogo de muitas vozes  corre vivo pelo patrimônio do MCM/UFMG em Belo Horizonte. À frente de um trabalho visionário e belamente efetivado pelo esforço de uma acadêmica sonhadora, a capacidade de tornar viva as esferas das ciências biológicas rima sem medo com a pedagogia da consciência. A esperança no conhecimento partilhado fez da professora Maria das Graças Ribeiro uma andarilha dos sonhos concretos. A esperança obstinada em fazer chegar à comunidade a compreensão do corpo humano ganha cores, tamanhos, proporções de grandeza ímpar: a magia do fazimento em equipe é prosa tão doce que convida à visita orientada. Parceiros de sonhos recorrentes apresentam "A célula ao alcance da mão" e entregam de mão beijada o coração do projeto: acessibilidade e  inclusão social. Aos peregrinos do conhecimento desenha-se diante dos olhos que não veem os traços definidos microscopicamente de tecidos,  órgãos e sistemas orgânicos que nos asseguram a vida em suas artimanhas nem sempre dedutíveis.
                                Mãos musicais trabalham resinas e gessos recriando emoções e sentimentos a médio e curto prazo. O museu ressalta a vida, desenha caminhos de compreensão e conhecimento transdisciplinar sem perder a poesia da graça, de Maria das Graças, a professora da comunhão entre academia e comunidade, da ciência e da curiosidade, do conceito público do fazer alinhado às esferas do tempo presente: se há um futuro a ser escrito, há também um passado inscrito no presente que deve ser pesquisado em sua completa real/idade/.
                                  A professora de muitos sonhos entregou-se à luta pela saúde, pelo desdobramento das pesquisas, pela acessibilidade das descobertas e pelo garimpo da beleza vital: ao conhecedor de suas próprias estruturas, o dever de mantê-las em estado de sóbria vitalidade. Assumir a responsabilidade pela   própria vida depende do saber orientado e era assim que a grande catedrática dialogava. Maria das Graças conhecia o fluxo ininterrupto da vida que bebe do Caduceu de Mercúrio e a ele retorna em contínuo devir, incompleto e pleno vir a ser no fluxo das estruturas biológicas.
                                 Os corredores do MCF da Universidade Federal em Belo Horizonte transcendem aconchego. Reais e fidedignas peças amalgamam  educação e ciência aos pés da pedagogia ativa, autossustentada, capacitada para o rapport direto e imediato - relatórios da vida são premissas para um olhar atravessado pelas possibilidades de cuidado consciente, uma forma de manter a poesia no coração da ciência.
                                À professora, andarilha dos sonhos, o abraço eterno das estrelas luminosas, lugar de seu endereço atual.
                                Pela graça de Maria Ribeiro, a das Graças e das ações concretas, vale visitar o Museu de Ciências Morfológicas do Instituto de Ciências Biológicas, Campus Universitário da Pampulha, UFMG, considerando sentir nas mãos a poesia mágica que dá sentido ao trabalho dos grandes mestres.
                               À mulher que permanece  sendo, a gratidão por amar o conhecimento e oferecê-lo a todos nós.
                              Para Maria das Graças Ribeiro, bióloga das possibilidades: um alegre réquiem à competência poética.


Ivane Laurete Perotti