terça-feira, 31 de março de 2015

À MINHA AVÓ, IDA MAYER

NINGUÉM  MORRE... TODOS VOLTAMOS PARA CASA! DIFÍCIL É APRENDER A ESPERAR NA ESTAÇÃO DA VIDA A HORA MARCADA NO BILHETE DE IDA... IDA, A MINHA AVÓ QUE, POR AMOR E FÉ,  DOBROU O BILHETE VÁRIAS E VÁRIAS VEZES. 
AO AMOR QUE VEM E FICA, AO AMOR QUE VAI E ESPERA...


segunda-feira, 30 de março de 2015

DE DENTRO PARA FORA

INVENTÁRIOS

- no espelho dos anos habitam memórias e invenções: todas elas distorcidas -



 " Na caricatura de um fato e do que se diz dele transitam impunes a língua, a linguagem e a louca soberania que rege a literatura." Ivane Perotti

                                    Acima dos montes pairam nuvens de imprecisão: ao fôlego dos ventos lambem a terra ou beijam as margens do céu. Abaixo deles, peregrinam seres humanos: açoitados pela nebulosa condição de subjetiva incompletude, embrulham dentro de si memórias e visões como se dentes mastigassem-lhes a verdade jamais deglutida de quem são... quem são...
                                     Quem é o homem que transita abaixo das nuvens e sobre elas edifica a sua morada? É o mesmo homem que escala os montes para ver a que distância do solo planta os próprios pés.
                                     Fatos e boatos pesam na bagagem da vida com equivalência doentia, salvo a ordem em que afetam a discutível impressão nas tábuas do autoconhecimento: quanto mais se insiste na imagem criada, mais se aceita  que o reflexo no espelho é a expressão daquilo que é! Não é! Entre ser e não ser salvam-se apenas as orações: desejos talvez genuínos de se desentortar os espelhos da vida. Talvez genuínos... talvez...
                                    " Ora pro nobis! Orate pro nobis! Ora pro nobis omnibus..." Ora pelas almas abertas que desejam tocar o azul dos mares, que não temem verter em  cores o pano das emoções, que aguardam beber a esperança em cálices de barro frio. Ora pelas mentes famintas, pelos corações flagelados, pelas mãos desnudas em falso labor. Ora pelo sentido inexistente, sempre latente, na boca das gentes, preces dementes, obscuro louvor. Ora pela verdade incongruente, fator recorrente na memória doente, divisão entre servo e senhor, crédito e credor. Deve quem recebe o amor e dele faz moeda de troca na invenção do favor.
                                    Que no inventário de uma vida se derrame em mantos,  dos olhos o pranto,  da vontade a dor, investidas contidas, interrompidas,  em frases e gritos, mitos, desditos, palavras quentes de impiedoso teor. Que se faça do verbo uma ação inclinada, à bondade voltada,  longe da escada, da ofensa elevada em degraus concentrada, violência  ampliada em surtos, furor.
                                  Que não se escreva em tábulas rasas, quão simples se foi; já que a simplicidade é um movimento complexo, fiel caminhada,  trabalhosa tarefa de extirpar a mediocridade, outra maldade, prega da falsidade , voto de desamor.
                                     Que não se abandone a batalha travada no meio da estrada por medo, pavor. Coragem é um dito, negado o visto, à mentira, ao fraco pudor. Nem se espere lugar de recompensa, igual ao que pensa, quem não merece no mérito o crédito de aplausos, o ramo de flor.  Dizer-se não ambicioso não salva da fraude, ataúde grotesco, principesco, onde as palavras enganam e os atos profanam , curto teatro, honras sem atos, homens e ratos, escondem -se em igual e carcomido andor.
                                  
                                     "  Prima é a obra da  natureza!" Ivane Perotti

                                    
Ivane Laurete Perotti 

domingo, 22 de março de 2015

QUADRO


TROMBETAS


CINDERELA


ERAM DOIS


REZA DE ILUSÕES


HOLOGRAMA DE FÉ

O CÉU NÃO É O LIMITE

-   hologramas de esperança -

" E lá estava ele, entre os meninos da rua, a contar as estrelas do céu, num gesto de rebeldia às verrugas que despontavam na ponta do nariz." Ivane Perotti

                                         Varria-se o dia para debaixo do tapete da lua.
                                Vozes reclamavam dos trancos que a vida deixava em aberto na desordem natural da sobrevivência.  Súplicas por esperança transformavam-se em mariposas nervosas sibilando por sobre as cabeças abarrotadas de problemas e dúvidas. Mais um dia carregava o rastro da noite, como outras tantas noites povoadas por assombros e desconsolos.   
                               À própria maneira, um menino espiava o rastilho de luz que brincava de riscar o céu na linha invisível do horizonte. Ausente aos chamados externos, travara carreira com as redondas abas da lua crescente. Sandálias costuradas em crua fantasia mediavam-lhe os passos a  distanciarem-se do chão. Chão de pedras, chão de terra quente, chão de lágrimas humanas e pegadas de anjos cansados. Chão de homens soterrados.
                               Corria. Quanto mais  corria, mais aumentava o diâmetro de admiração do astro que tudo via; via e crescia em festiva comemoração. O manto da noite estendia-lhe as compridas franjas; nuvens rosáceas beliscavam as finas mãos em riste; o vento interrompera a dança do anoitecer para soprar-lhe os cabelos grudados junto à testa larga; a lua segurava o fôlego do inchaço em expansão para emprestar-lhe o ar já impregnado com as dobras da noite; as montanhas curvavam-se em reverência silenciosa; os caminhos almofadavam-se em aberturas sinuosamente alegres; as estrelas faziam coro, desenhos, firmavam cartilhas, pilhas, até uma delas cometer o desatino de beijar o menino.
                              E beijou. Beijou como só uma estrela cadente sabe fazer. Beijou-lhe  os sonhos e a valentia, beijou-lhe os olhos que tudo viam; beijou-lhe a voz inocente e depositou créditos de beijos nos passos livres daquela infância simples e coerente. Segredou, por entre os sorrisos da criança que, além dela, outras estrelas espiavam a cena, de bem longe, muito longe, mais longe do que o firmamento pudesse apontar.
                            Inebriado, o pequeno ofereceu à estrela os números que se apagavam por entre as mãos. Contara os pontos de luz dependurados nas redondas abas da lua, e fizera-o tão somente para marcar um encontro com o luar na porta do firmamento.
                          Naquela noite, um menino adormeceu envolto pelo suave e repentino som da chuva. Não sabia ele que,  as lágrimas de esperança  das estrelas contadas e não contadas pediram licença às nuvens  para derramarem-se por sobre a terra seca. Nem o vento reclamou de outra interrupção: a dança da vida coreografa-se em hologramas inacabados e valsas não eram exatamente a sua preferência, bem gostava ele, o vento, de um antigo jazz, ou dos novos blues. Afinal, há de se reconhecer o lugar da fruição.


" Quem não sabe contar estrelas não pode negar ao outro o direito de fazê-lo." Ivane Perotti

Ivane Laurete Perotti

domingo, 15 de março de 2015

REI NU

A HISTÓRIA DO MANTO PERDIDO

- no reino da corrupção, a nudez do rei é estratégia tramada a vários fios -

" Uma bandeira pode servir de mortalha, mas não cobre, sozinha, a trincheira da ignorância." Ivane Perotti

                                     Rei nu, rei cru!
                                     Vinga entre os incautos uma pueril e bem administrada cantilena apedêutica:  "... a ignorância é a mãe da felicidade.", " Quanto mais se sabe, mais se sofre... ", "... melhor sofrer na ignorância do que morrer no conhecimento."  Cantilenas mantidas a custo, uma vez que dá trabalho conduzir a massa social como se fosse um parvo rebanho. Mas, ensina a história que até a mais dócil ovelha faz ouvir os  balidos de sua dor e, diante da tosquia desavisada,  identifica a mão que impõe a navalha.
                                     Rei cru, rei nu!
                                     Pois, da ovelha ao rei, o caminho revestido de lã tece o pranto da incredulidade: despe-se o povo para desfraldar o estandarte da corrupção. Uma bandeira desbotada cobre em luto o choro das carpideiras contratadas; fazem coro as cantadeiras, cantareiras, petroleiras, empreiteiras, alcoviteiras e de eiras em beiras desfilam sem /dó-lares/ os lares do lado de cá. Na míngua da informação controlada, na saga da saúde obsoleta, arde a dantesca estética das feridas abertas sob o manto da indignação. Manto movediço, contradiço, manto infestado de traças, essas graças de  insetos urbanos pertencentes à Ordem  Thysanura - Lepidópteras.  Obedecem elas, as traças, à ordem do armazenamento: comem e comem e comem o que não lhes pertence. Esbanjam prejuízos à vida e à dignidade humana, trituram os conceitos de cidadania, iludem a nação, empanturram-se com o trabalho escasso, parco, já  indigno trabalho que falta às mãos esvaziada da população.
                                     Rei nu!
                                     Rei cru!
                                     Roeu-se o manto do rei: do trono ao dono, não há ninguém para costurar os fios puídos, esburacados, solapados em público e bom tom. Do festim carnavalizado, politicamente articulado, servido a talheres de LEI, sobram traças, às graças, assentadas aos pés dos mitos criados e dirigidos do Olimpo Brasileiro. Zeus foi tupiniquim, mas desistiu de barganhar a repatriação de sua nacionalidade manchada pelos tops da criminalidade  instituída. Nem ele daria conta de comandar tamanho desvario. Zeus foi leniente... mas quanto a ser penitente, bom, esta é uma conversa para ser coroada com uma régia premiação. Delação? Quem não gosta de rimas, já levantou outra questão. Assim, orquestra-se qualquer discurso abaixo do firmamento e não há o que mais dizer quanto ao manto do rei.
                            Rei posto, em desgosto. Provou do gosto, promoveu a miséria, agora... agora... não há como limpar a trajetória sem pagar pela história.
                           Rei nu... não se permite terminar a rima!

                           " Do suposto vazio de uma história surge o dito pelo não dito." Ivane Perotti
                                   

 Ivane Laurete Perotti

sábado, 7 de março de 2015

MOÇÕES

       
                                                 Foto by Laura Fayer, (09 anos), Sete Lagoas, MG.

VALSA DAS ÁGUAS

     
                       Foto by Paulo Jackson Martins Oliveira, Ilhéus, BA.

BOA VONTADE

   
               Foto by Ísis (12 anos), Sete Lagoas, MG.

quinta-feira, 5 de março de 2015

JANELAS

   
                Foto by Angelizy Barreto Marques, Sete Lagoas, MG.

VIAS


MAZELAS

   
    Foto by Ísis ( 12 anos ), Sete Lagoas, MG.

CONJURA

   
        Foto by Lucas Pataro (13 anos), Sete Lagoas, MG.

AERADO AMOR


SILÊNCIOS


                  Foto by Ísis (12 anos)/Sete Lagoas, MG.

MAL


EXAGERO



quarta-feira, 4 de março de 2015

MANJERICÃO


MANJERICÃO CULTIVADO POR IVANE PEROTTI EM PET RECICLADO/HORTA                                                                SUSPENSA/ PROJETO CASEIRO                                              

NÓDOA



TERAPIA ON-LINE

         UMA FORMA DE MOVIMENTAR OS CICLOS DO ENTENDIMENTO


domingo, 1 de março de 2015

HOMENAGEM À DRA. MARIZA, DELEGADA CIVIL

TEXTO POSTADO NO ESPAÇO DA COLUNA DE IVANE LAURETE PEROTTI, JORNAL TRIBUNA, SETE LAGOAS, EDIÇÃO 896, de 21/01/2015.

MERGULHO...


O VERBO


RESTOS


MELECAS POLÍTICAS E DESPROPÓSITOS LINGUÍSTICOS

CACAS E CAQUINHAS
 - manchas semânticas na infantilização discursiva do poder -

 " Quando a palavra falta ao homem, não significa que desconheça o léxico da língua mãe. Antes, pode estar inteligentemente buscando justificar-se no manhês de todos nós que deve ficar à época que lhe é pertinente: a primeira infância." Ivane Perotti

                                      Uma vez que se ausente a voz do povo, não há velas nem santos para o choro que se atrela. O purgatório é aqui: Carontes afundou a barca  e São Tomás de Aquino - o Doctor Angelicus -  amarga entredentes a sua teoria acerca da ética e da política. Ventos de uma filosofia vã e vexatoriamente adequada aos calcanhares dos maiores interessados vinga no Brasil - colônia de poucos - e, no mundo das guerras agendadas, - tabuleiro de xadrez onde apenas os peões pagam a prenda. Claro! A história não ensina e se repete, em ciclos concêntricos de força e desfaçatez.
                                       O povo anda  a pé, em pé e de pé. Quem o representa voa! E voa bem acompanhado sob os ajustes desvairados que continuam saindo do bolso já vazio do mesmo povo que anda a pé e... em silêncio! Pesado silêncio ilustrado em labirintos de muita "caca" - expressão validada no universo do manhês  produtivo e carinhoso que as mamães usam para com os seus bebês. Ai! Não quero, não quero... QUERO! QUERO! QUERO FAZER A ALUSÃO DIRETA a uma implicatura de contexto no uso improvável que aconteceu na terça-feira passada, quando o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou: "... o esquema de corrupção na Petrobrás foi uma caca cometida por um pequeno grupo de pessoas dentro de um universo de milhares de trabalhadores da estatal." Ah! Senhor ex-presidente, usar o papainhês - derivado ou antecessor do manhês?- para cima dos trabalhadores que jamais poderiam colocar a mão na caca? Os trabalhadores, trabalham ( tautologia necessária e linguisticamente intransferível )! O povo trabalha! E quando faz caquinha - e sempre existe a possibilidade de uma caquinha aqui e outra lá  - a justiça age, senhor ex-presidente e, as celas deste país juntam no mesmo espaço os cacaquentos  de pouca monta. Sim, pois os cacaquentos de muita monta continuam a receber as benesses que as grandes cacas permitem: marmitinhas com tiras de salmão defumado, água francesa, sabonete gaulês, lencinhos perfumados... e estes últimos não são suficientes para limpar as devidas cacas. Ou são? Não sei! A infantilização dos discursos vira-me o estômago  e bem que gostaria de ouvir outras bobagens de mesmo tom para ver até onde a acidez verborrágica aporta do intelecto ao intestino. Mas aí, a conversa pode mudar o rumo da prosa: a quem interessar possa, estamos todos sujeitos a evoluir para cacas sociais, semanticamente bem colocadas diante de um povo que é nivelado por baixo. Não somos crianças de colo, senhor ex-presidente, e em podendo escolher, talvez desejássemos que o discurso populista nos poupasse desta tangível farsa linguística.
                                     Quando o respeito ao lugar político de cada ser humano neste planeta servirá de bandeira a quem se instala em lideranças governamentais?
                                      Não nos cabe mais a vergonha do silêncio. Levaram, levam e levarão o que deveria ser entendido como recurso de uma nação para manter as fronteiras de seu crescimento. Enquanto se justifica as cacas que caíram fora dos cueiros - sem pensar em todas as outras melecas que permanecem higienizadamente escondidas em local adequado -  os pés do povo incham, racham, e sangram  na carência de decisões políticas minimamente democráticas, civilizadas e  honestas.
                                     Aos interesses de poucos, movem-se os demais e esta é também uma forma de instituir a falência da cidadania.
                                     Para uma liderança sem cacas!
                           

" Gasta-se o verbo para não dizer: outra forma de usar a língua e fazer calar os interlocutores desarticulados. Prova cabal de que quem nos governa acredita realmente no poder da educação ausente." Ivane Perotti

Ivane Laurete Perotti

PAIXÃO...


MANTO


PARECIA...


ASSOVIA...