sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

AOS AMIGOS, SEMPRE AMIGOS...

QUANDO O MUNDO É ILUMINADO PELA AMIZADE, TODAS AS CAUSAS SÃO PREVIAMENTE  VITORIOSAS


domingo, 16 de fevereiro de 2014

OLHARES...

QUANDO AS CRIANÇAS OLHAM A RUA...
Veem além do posto, pressuposto de quem olha
sem esperar
nem julgar...
Toda a rua tem segredo
e pode,
a qualquer hora
...revelar!


        Fotos assinadas pela Laura ( 09 anos), Lucas (11 anos), e Ísis (11 anos): 

OLHARES...

QUANDO AS CRIANÇAS OLHAM A RUA...
 Elas  PINTAM QUADROS  que ninguém vê! Ou vê... mas não sabe escolher!

            Fotos assinadas pela Laura ( 09 anos), Lucas (11 anos), e Ísis (11 anos): 


OLHARES...

QUANDO AS CRIANÇAS OLHAM A RUA...
 Elas  PINTAM QUADROS  que ninguém vê! Ou vê... mas não sabe escolher!
            Fotos assinadas pela Laura ( 09 anos), Lucas (11 anos), e Ísis (11 anos): 


OLHARES...

           QUANDO AS CRIANÇAS OLHAM A RUA...
            Elas  PINTAM QUADROS  que ninguém vê! Ou vê... mas não sabe             escolher!
            Fotos assinadas pela Laura ( 09 anos), Lucas (11 anos), e Ísis (11 anos): 


OLHARES...

            QUANDO AS CRIANÇAS OLHAM A RUA...
            Elas  PINTAM QUADROS  que ninguém vê! Ou vê... mas não sabe escolher!
            Fotos assinadas pela Laura ( 09 anos), Lucas (11 anos), e Ísis (11 anos): 






DAS FLORES...


DOS AMORES...


DOS AMORES...


sábado, 15 de fevereiro de 2014

OLHARES PULVERULENTOS...



CONCEITOS SOB TORTURA: FACES OCULTAS DO MAL


“Pensei o quanto desconfortável é ser trancado do lado de fora; e pensei o quanto é pior, talvez, ser trancado no lado de dentro.”
                                                                Virginia Woolf

                                   Temo os lugares comuns que a civilidade instala como lugares de sabedoria. Temo também os lugares de sabedoria: não sei onde começam uns e terminam outros na cadeia das maquinações estéticas.
                               Tangidos pela densa peneira das ideias prontas, parece fácil alongar os olhos por entre os furos de visão inacabada. Olhares pulverulentos recortam a aparência das coisas falseadas em realidade e os ditos são repetidos na indecência das vozes sem dono: tortuoso caminho da referenciação desvalida, triste vereda para a fundação dos discursos alheios. Dizer do outro, o semelhante dissociado pelos conceitos de verdade e mentira é espelhar a si mesmo duas vezes: de dentro para fora e de fora para dentro. Robusto e infindável movimento de constituição e sujeitamento. Lunetas não salvaguardam os signos da leitura corrupta: antes, capturam uma leitura e a disseminam como receita assinada pela arrogância. Famigerada ação de tomar o conhecimento para si e trancafiá-lo em redomas ideológicas: certo e errado provam-se em natureza de igual corrente!
                               Por que falamos das sandálias alheias?
                         Pés descalços povoam o mundo e transitam pela finitude dos acontecimentos: somos parte integrante daquilo que vemos e o que vemos nos revela... well! Nem sempre o que vemos é o que é senão o que somos: tartamudear é uma técnica aguçada, dominá-la faz parte da rede de convencimento pessoal, intransferível. A ironia fina também, mesmo que os nossos pés sejam incapazes de senti-la à sombra dos calcanhares de Aquiles. Aí pesam os rótulos: um dicionário de improcedências constrói o léxico das expressões que lembram outras, em eterna roda viva de dizer e repetir. Por que falamos? Talvez, para subjugar os sentidos que não alçamos fora das instâncias argumentativas. Ou, então, para fugir de quem somos, à revelia de já o sermos e das temerosas possibilidades do vir a ser. Tornar-se é processo que desinstala o pensamento em imagens sonoras, desintegra comportamentos tombados e multiplica palavras: palavras são células vivas coroadas por heranças e evoluções. Mas, há taramelas para todos os gostos: algumas são usadas para impedir o óbvio de cavar sepulturas vazias em terrenos de pouca profundidade; outras forçam para fora o medo da autonomia. Eis o processo da alteridade despindo-se em falsa nudez, uma vez que a roupa do rei não está invisível à consciência tranquila.

“Tudo o que vemos ou parecemos
não passa de um sonho dentro de um sonho.”

                                         Edgar Allan Poe

domingo, 9 de fevereiro de 2014

AUTOESTIMA...

GATILHOS CORROMPIDOS: RIMAS EXAUSTAS
                      NUNCA ANTES A AUTOESTIMA ESTEVE TÃO OUT
                                      
                                                                “Sob o alpendre
                                                                  o espelho copia
                                                                   somente a lua...”
                                                         Jorge Luís Borges 
  
                                     Faces plásticas endurecem a rua pontilhada por cabeças ausentes: descrentes! Quando foi que tudo deu errado? Carcomidas expressões escondem-se em mangas compridas: puídas! Um ás sem copas abriga-se por entre as árvores despeladas na urdidura que ladeia o cortejo descendente: olhos brancos, mãos em riste. Passos vazios atroam no picadeiro das pedras frias.   É dia! Outro dia de infinita busca pela calculada euforia. Pecado mortal sentir o vão aberto entre os mundos: moribundos! Viva a hipocrisia! Quando foi?
                                   Sonhar o sonho não tinha idade: agora carece de juventude, habeas corpus da alegria. Quem diria?
                                   Cansados do prelo, acorrentam-se os desejos de ser e ter na orla gasta do destino: vaga e impúbere filosofia. A obscura vontade molhada nas pregas da vida recolhe o manto: espanto! Foi-se o tempo da novidade, a alma do homem sobrevoa rasante a consciência falida: desmedida! Nem o pão nem o vinho: um sopro da reversa ortodoxia.
                                    Frouxas alavancas da sobrevivência motivam o drible rimado na curva da imitação: o que cabe a um cabe a outros. Eu e eus recheiam o singular compasso: coletiva homogeneização. Autoestima, estima alta... palavras órfãs apelam para o discurso estético, nada poético, funesto gesto de preservação. Doloridas dobras sobram às margens do meio, três centeios, rede de peixes, inválido dom da multiplicação. Valham-se as consoantes sem dentes, os dedos pendentes em comiserada oposição: milagre! O homem moderno reage intacto à rude intervenção: silicone, fantasia, gravata e terno, salto alto, cirurgias de opinião.
                                   Intrigante a intimidade que empoa a poesia nua; o costume motiva o mito: sem grito! Frágil linha que aperta o nó da corda por onde, debalde, deslizam os versos em camadas de tinta: cicatrizes da vida adulta, make-up do cotidiano. Milagres da civilização.
                                    Gostar de si mesmo... gostar de si mesmo... gostar de si mesmo... onde estava eu? Ilusão sóbria: muitos sabem quem são. Com o gostar vem o costume, o medo, a compreensão, o tédio, a criativa elevação. Mais ou menos como a lua que, ao fazer reverência à rosa posta no alpendre, encontra um jeito para refletir sua devoção: as rimas exaustas cumprem de longe, muito de longe, com o propósito da acomodação. Ironia? Talvez, destino de quem pensa e pensa que não encontra razão.
                                                 “Qualquer destino, por mais longo e complicado que
                                                   seja, vale apenas por um único momento: aquele em
                                                   que o homem compreende de uma vez por todas
                                                   quem é.”
          Jorge Luís Borges

                                      

domingo, 2 de fevereiro de 2014

OU UM...OU OUTRO...

PASSANTES DA HISTÓRIA OU SUJEITOS DA PRÓPRIA SORTE

"Desistir... eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça."
Cora Coralina


                                      Ela fazia doces.
                                     Amarrada ao avental das necessidades prementes fustigava a noite nas abas do fogão aceso. Estrelas e labaredas consumiam as nesgas caligens da escuridão recalcitrante.  Pelas frestas da casa velha o vento espremia-se, curioso na teimosa característica dos que espreitam e não se envolvem. Mas ela gostava do vento. Sentia-o derribar o rosto avermelhado, desalinhar os cabelos presos, soprar o vapor doce que se despregava das panelas. Era um carinho que chegava de longe, pendurando cheiros arrebanhados de outras misturas. Histórias apuravam-se lentamente no fogo da realidade crua. A colher do destino estava vazia e não lhe cabia pesar o bojo do que não escolhera. Enquanto os filhos dormiam, preparava o dia que se apresentaria inexoravelmente aberto e com tempo demarcado. Preparava-se. Cozinhar com desvelo não assegurava a opção do freguês diante do doce feito, mas conhecer o freguês lhe imputava ciência e sabedoria. Havia aquela moça que só acordava depois de conferir o sabor da canela quente, aquela outra que precisava negar várias vezes gostar de açúcar para só depois comprar o doce mais doce do tabuleiro e aquele moço que olhava com as mãos grandes todos os acepipes para, finalmente, comprar qualquer um. Ou nenhum.
                                     Não tinha letras, recordava as receitas da mãe da mãe de outras mães enquanto fazia estudarem os filhos, em penca de oito e pouquíssima diferença de idade. Soubera tê-los, fazia por merecê-los. Quando o cansaço arrastava os sonhos para dentro dos becos sem saída, voltava os olhos para o fogo crepitante: nem menos, nem mais. A fome das labaredas media a paciência com a qual mantinha as panelas: fechadas, entreabertas, à beira da chapa, mais ao cento do calor. Era um movimento de atenção e cuidado, uma escolha clara para chegar ao ponto apreciado. Doces são pedaços de palavras que ganham significado na boca de quem os prova. Gostar ou não é uma experiência particular e única, quase um segredo, um jeito de dizer as coisas que não podem ser ditas. Ou ainda, de fazer calar o coração choroso quando a saudade amarga a boca seca. Parecia pouco diante da pressa com que o dia varria a noite empurrando as estrelas para longe. Mas um sucedia o outro e, tanto a noite quanto o dia ocupavam o mesmo espaço, sem se repetirem em nenhum momento. Sentia mais do que via a passagem majestosa dos dois oráculos. Em épocas idas, perguntava-lhes a que vinham, quando tudo ao redor parecia caminhar em constância involuntária. Perguntava-lhes e esperava as respostas subirem das panelas cheias como que advindas da mistura adequada sobre o fogo bem feito. Noite e dia entregavam perguntas, não distribuíam respostas. Acostumara-se ao silêncio alto daqueles sinais onde o brilho da luz apenas trocava a moldura. Acostumara-se.
                                       Os pés inchados apontavam para a hora de receber o sol e diminuir o alimento das labaredas. Sem tempo para retoques, ela decorou os tabuleiros que os filhos do meio carregariam por entre as costumeiras ruas banhadas pela manhã. Uma velha renda branca cobria os doces: enfileirados, guardavam as marcas daquelas mãos recheadas de vontade.
                                       Ela fazia doces.  No avental surrado, uma frase escrita em letras quase apagadas impregnavam-na com o sentido jamais lido, diariamente vivenciado:


“Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves na alma.”

Cora Coralina