sábado, 25 de janeiro de 2014

ESPECIALMENTE DEDICADA AOS QUE ESTÃO CANSADOS...CANSADOS DE ENTENDER!

PEÕES DO DISCURSO: PALAVRAS DESMEDIDAS

                                               "O desejo exprime-se por uma carícia, tal como o
                                                     pensamento pela linguagem."
                                                                                 Jean-Paul Sartre
                             

                                            O efeito plástico da comiserada proposição varou a noite. Não fosse o eco reverberar os fonemas articulados, a insistência passaria outra vez por entre as tampas dos ouvidos. Fastio sintático.  Repete-se a voz, perde-se o autor. Legítimo é o ato de redizer pedidos derramados em cantilenas insistentes: lamúrias destronadas, órfãs em segmentos frouxos, terminantemente inacabadas e presas à moldura fixa dos queixumes. Mas a escuridão não oferece tropeços ao debordamento das palavras: vozes são lugares de instalação dos sujeitos pertinentes e dos impertinentes também. Ai!
                                         Sem medidas, as frases amontoam orações empertigadas entre o crepúsculo e o amanhecer. São queixas de cansaço diante dos sentidos engarrafados. Medos inconfessos ardem na alteridade pressuposta. À fonte da livre composição auferem lícitos sentidos: discursos repetidos.  Quem diz rediz o dito, não dito e circunscrito. Novidade embaraçada no movimento coletivo da formação individual. Um espelho não é uma pauta, uma palavra não é um bojo. Sem fundo, palavras e espelhos refletem em partes separadas a voz e o sujeito sem peito.
                                      “Seja você mesmo... seja você mesmo...” recita o papagaio da história! Os homens usam palavras para despojar o pensamento: inconclusa ação que exige do outro fazer-se presente. Ausente? Conscientes do risco lambuzam declinações de severa contrição e olham adiante a face torta, irreconhecível e dura! No outro, os outros comigo também. Saladas de conceitos devolutos perambulam na formação de quem e ninguém: pedido perdido nas tampas do ouvido. Brincar de dizer é um grande perigo! Viu? Não, não viu! Nem escutou o soar da noite caída aos pés do elástico. Entender e sentir são não faces da mesma moeda. Sentir gera medo, entrega, vai além do suposto exaurível, do dito infalível, do comum vaivém!
                                  Aos despidos de intenção convêm as cantatas: pelas coplas e recitativos dobra-se a língua em pares seguros, sobre o muro das repetições. Aos nutridos de maior vontade, a lide de refazer-se ininterruptamente além, alguém, também... amém!
                                       Acarinhar o verbo deixa marcas nas mãos que olham o céu. No horizonte das possibilidades, naufragam proposições. Algumas, prematuras, entabocam na linha da sintaxe escura. Altura! Medo de saltar o muro das lamentações. É assim a vida dura de quem dorme com palavras e acorda com frases soltando os botões. Dura vida de quem sente sem entender o que lhe está além... além... além...
                                  ... tem alguém?
                                 “ Não há necessidade de grelhas, o inferno são os outros.”

                                                            Jean-Paul Sartre

domingo, 19 de janeiro de 2014

REVISITANDO UM DISCURSO... A PEDIDO!

           
               DE MERITIS E DA VONTADE DE CADA UM: EMPENHO?           
                                      “Convencido eu mesmo, não procuro convencer os demais.”
                                          Edgar Allan Poe

              Desvelam-se as folhas caídas na redolente noite de outono. Em tépido dourado, despedem-se das árvores decíduas e forram o caminho iluminado pela lua em quarto minguante.  Farfalham segredos aos pés daqueles que andam com a alma em dobra de canoeiro.
            Os homens sonham! Descalços de veleidades vestem a vontade do coração indômito.  Sobre os ombros vergados pairam asas de poder e diligência. Eis, então, que se abrem as comportas do fazer por escolha e as mãos firmes mergulham na paixão ideológica empreitada. Tintos pelas cores da excelência, fazem bem, fazem-no superando as dificuldades.
            Os homens operam milagres! Foi-se o tempo no qual a delonga marcava os versos da poesia em desabrigo. O ser humano tem sede de significados. Instala valores e funda princípios longe do terreno da obrigatoriedade.
           Eles fazem! Os homens justos recolhem a história, maceram-na em suor e boa vontade.  Escolhas ímpares na tutela do destino contrafeito: aceitam as folhas, festejam a lua espraiada. Parcelas embebidas no esforço humano despregam-se vagarosamente, e uma vez livres, inundam sem medo o coração ao lado.
         Exemplum virtutis! À força do exemplo são impelidos os que esperam ou temem.    Os sentidos brotam das mãos calejadas pela faina e varzeiam outras mãos. Mãos atentas e férteis deleitam-se confiantes ante as sementes jogadas ao solo úmido.
         Mãos abertas semeiam o mundo!  Assim sonham os homens justos! Desprovidos de loas, descortinam os passos da própria consciência: constroem sobre bases sólidas, engendram projetos, metrificam a esperança contida.  Não sobra vez à vaidade infecunda.  Sem fímbrias para louros, no silêncio dos olhos, palmas perfuram o brilho que suspende as lágrimas dos homens benemerentes.
          Vitoriosos, eles choram! Pelos caminhos tantas vezes nus, as folhas douradas empertigam-se para festejá-los. E sobre as fraldas das razões do mérito, movem-se eles: recusam-se a permanecer escondidos nas cavernas da timidez ou nas ruelas das incertezas.
            Eclodem! Límpidos! Grandes e pequenos, homens e mulheres que sonham e fazem pelo poder que lhes confere a fé no bem comum. Fazem! Simplesmente fazem!
            Empunham brasões de fidalga maestria e rompem o cerco das tarefas coroadas pelo aguardo da lisonja passageira ou da obrigação camuflada em dever.
            Por entre as folhas secas, a axiologia pergunta sobre a natureza do mérito e...
            Eis que o homem universal responde:
            _ O que está bem feito, bem está.  A glória que me cabe é o sabor da obra feita. Faço-a com os olhos altos e o coração inteiro. Cabe-me, tão somente, o contentamento em vê-la pronta!
            À história que faz do homem o teto da consciência livre: o mérito da gratidão!
                            "A beleza deslumbra a vista, mas o mérito conquista a alma. "

                             Alexander Pope

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

MUROS SEM FUROS

 QUANDO O MURO ESGOTA A CLAVA
 SOBRE O PÉ DA MONTANHA
 SURGE ELA...
 SEMPRE BELA!
 A VISÃO DO OUTRO LADO
 É AGRADO
 SEM ENFADO
 OUTRO LADO
 AQUARELA!

ESTE É UM ÁLBUM DEDICADO AO JARDIM QUE MORA DEPOIS DO MURO
- para a irmã emprestada: IRACI DE OLIVEIRA-
PRIMEIRA PARTE:

domingo, 12 de janeiro de 2014

CAVIAR NAS PATAS SUCULENTAS DOS CARANGUEJOS SÓBRIOS


O MERGULHO DA LAGOSTA INDECENTE NOS BOLSOS SECOS DO POVO BRASILEIRO


“Uma coisa pode ser muito triste para ser crível ou muito má para ser crível ou muito boa para ser crível; mas ela não pode ser tão absurda para ser crível, neste planeta de sapos e elefantes, de crocodilos e peixes-espada.”
 Gilbert Chesterton



                                         Fios de esperança gasta arrastam sonhos sem títulos. Rolam sobre as veias inúteis do seio pátrio as últimas gotas do suor esvaído no trajeto da indignidade. Vêm de longínquas paragens e cobram o resgate do sequestro anunciado.
                                         Gemem os sonhos e os sonhadores. Esgaçam-se os fios tecidos entre homens simples, crianças queimadas, mulheres doentes, filhos desgarrados, velhos moribundos: todos politicamente abandonados.
                                        No espaço dos braços trêmulos, eles carregam em aberto a bandeira da palavra: virtual código da igualdade amealhado no quadro dos discursos vazios, dos projetos inacabados, das verbas adulteradas, da corrupção instalada em episódios de farta improbidade.
                                       Não gritam: choram. Não pedem: agonizam no útero da pátria amargamente surrupiada. Cena imprópria para a exposição gratuita frente a qualquer ser humano, gente, pessoa ou o que se valha. O que se valha! Valência é um conceito que dá à teoria de Tesnière um sabor de acontecimento verbal na cadeia sintagmática. Diferente do que ocorre na cadeia dos fatos publicamente constatados: repetem-se ad eternum. Improdutiva e dolorosa repetição ao feitio de fábulas sem moral. Passiva civilidade.
                                       Acima dos andantes desvalidos, entrevê-se a sombra de uma espessa colcha de iguarias: lagostas empapadas em uísque envelhecido adornam o buffet de canapés de caviar. Contrastam exímio gosto e exuberante fartura, enquanto abaixo, refletem-se brilhantes guarnições de cristal nas taças dos olhos chorosos, andarilhos da história nua. Uma boca vazia, duas bocas vazias, adultério da saúde pública, educação desigual, seguridade vencida! Fome de decência! O caviar e a colcha não cabem ao mesmo filho. Pelo menos por ora, nesta terra de engodos e falcatruas.
                                      Diante dos olhos cansados desfilam protocolos, cerimônias e sobremesas. Sobre a mesa dos que, abandonadamente, andam... sobra a mesa! Descarnada mesa vazia não partilha da glória nem do futebol recheado em boa vontade política e gastos à revelia. Mesa servida à margem da vida digna não expõe a toalha nova de linho branco. Óh! Não! Serviços e direitos dividem-se na aparência dos sonhos e dos horrores. Disseram alguns: atrocidade! Escreveram outros: licitação imprópria. Contestaram: prática notável do descalabro governamental. Folia de reis sem fé! Carnaval da impunidade. Farra da pajelança. Vergonhosa covardia, imprópria alegoria.
                                      Fome de decência!
                                     Os alimentos para as residências oficiais emaranham-se em apetitosas patinhas de caranguejo! Patinhas... patinh... patinhos...!Não se apontem os marezeiros. Não! Estes, servem-se da fome diante do mangue seco e são mantidos bem longe da rota dos comensais. País de fartos banquetes. Negue-se o absurdo da informação pouco crível. Chesterton conheceu o Brasil? Dizem que influenciou Gilberto Freyre! Casa Grande e Senzala? Pertinente! Ou... atual!
                                     Arrastam-se os fios da esperança gasta!


domingo, 5 de janeiro de 2014

DRAGÕES SEM ASAS

MARSÚPIOS IDEOLÓGICOS: POLÍTICAS DE ALUGUEL
 “O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê.”
                                                           Platão

                                             
                                              Na barriga do dragão acomodam-se pupas. Lindeiras e familiarizadas ao nicho deixam passar à sorrelfa a natureza mítica do ser reptiliano cambiado na intrincada acomodação da própria metamorfose. Artrópodes são fundamentais na conexão da cadeia alimentar. Dragões mitificam o poderio que circunjaz aos sistemas fundantes e prestam um serviço potencialmente coercitivo, tanto nos contos da carochinha, quanto no avançar da carruagem, ou do bonde, ou dos fatos na história contada. Coadunam-se ambos na ecológica separação dos poderes que constituem e caracterizam a organização de um status, salvo o temor pela equivalência metafórica no zeugma elíptico das expressões cognatas. Talvez, sem figuras, a linguagem não amadureça o pensamento abstrato, ou o pensamento abstrato não se revista de roupagem anuída: um eterno devir na referenciação do mundo percebido, quando percebido. Dragões cospem fogo e insetos provocam asco. Da pupa à imago, até que a borboleta nos prove a beleza da cor, vai-se um tempo no endurecimento das asas: um tempo nem sempre a contento.
                                              No reino das inferências, répteis e insetos pertencem a classes distintas, mas tornam-se aptos para acionar as inerências biológicas na mesma corrente de força com a qual as formações ideológicas fermentadas rezam seu curso: indeléveis e certeiras.  Casulos hipotéticos abrigam ideias: sentidos cruzam-se em paralelo combinatório interligando seres e seres. São os laços da interação natural. Estabelecer a implicatura é só um fomento à base da observação plausível, nem sempre signo da imagem que corre sozinha. Mas, esta já é uma questão de distinta ordem: a consciência pode resultar da vontade política posta em ação. Pode! A depender do tempo de maturação, ou do fluxo de paciência envolvida.
                                           Dragões inexistem no seio da urdidura terrena. Sim? Pupas também! Os primeiros mantêm a força da crença instalada, enquanto os segundos, por livre e espontânea sobrevivência imagética, integram o agridoce universo quimérico do crescimento ordenado, planejado, sustentado em bolsões de ideias socializadas. Planejamentos casuístas à parte, nosso popular discurso cobra aluguel ao sujeito social atuante. E cobra em dobro do sujeito assujeitado à cessão de uso e gozo do papel de agente: pluralizações adquiridas.
                                          Não estamos longe dos mamíferos metatherios. As diferenças prováveis ou não, começam na extensão ventral das barrigas políticas que oferecem glândulas mamárias: mais conhecidas por tetas. O suprimento nutricional é o grande divisor do aleitamento indevido, fora do tempo e do saco vitelínico. Em outros termos, sustenta-se a barriga que sustenta o sustentado na cordilheira onírica dos devaneios idílicos: corrupção da realidade verossímil.
                                         Do que se alimentam os dragões? Do medo alheio! Do que se mantêm as pupas? Não se alimentam, permanecem em repouso, pois na ciência da transformação, é no estágio de larva que o futuro inseto se alimenta de matéria orgânica. Já pupa, ou crisálida, dorme em plácida esperança, um fialho tecido no serviço da ideologia dominante.

Há quem passe por um bosque e só veja lenha para a fogueira.”

                                                             Tolstoi                    

sábado, 4 de janeiro de 2014

PALAVRAS...

DI-ÁLOGOS : ÊXITOS DISCURSIVOS...


Era...


Assim...


DECLARAÇÃO DE AMOR

UMA DECLARAÇÃO DE AMOR À VÓ IVONE BOUERI:

Quando o mapa da vida nos aponta novas trilhas, nem sempre esperamos os presentes tão sonhados. Quando eles chegam em forma de seres iluminados entendemos que os verdadeiros laços de amor vêm assim: na forma de vizinhas abençoadas. Fadas disfarçadas, elas tecem preces no silêncio do dia, regam o horizonte com a suavidade do conhecimento e nos deixam acreditar que a amizade é uma forma de amor duplicado! AMAMOS VOCÊ, VÓ IVONE, NOSSA DOCE VIZINHA... NOSSA VÓ EMPRESTADA!