sábado, 26 de dezembro de 2015

DE IRMÃO PARA IRMÃ...


HISTÓRIA DE AMOR...

PARA A MINHA MENINA...


PARA O MEU AMOR...

ANIVERSÁRIO É CICLO DE VONTADE, ESCOLHA E MATURIDADE. PARA O AMOR DE MINHA VIDA...DENI PEROTTI: MINHA FILHA DESDE SEMPRE!



SOBEJAM...


BEM-FEITO ...


RISCO


JAZ O LÍRIO


PAUSA


TAXAS DA CONSCIÊNCIA

PEDÁGIO PARA O AMOR E A LIBERDADE

- direito de passagem no ritmo da vida concessionada -

"A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência."
Mahatma Gandhi

                                Olhos fechados não sentem o estrago da poeira na via deserta, mas conferem verdade ao simulacro da solidão que   sustenta a  pávida debilidade da covardia. Ao forte, a morte da ignorância; ao débil, a sobrevivência inglória na multidão vazia. E assim caminha o homem no espaço criado pela limitação de seu desbotado conhecimento: carcaças desprovidas de alma afinam o prumo... inúmeros corpos vazios trilham o rumo, sem lume, vão para lugar nenhum.
                              Povoar a consciência requer vontade e escolha: dois vórtices em  ângulos afilados pela política da concessão. Concede quem aceita o acordo não lavrado no cartório dos "avisados" - contrária lei da legalidade.  Ao passante da vida comum cobra-se o pedágio para o amor e a liberdade, esquina entre a Rua do Contrito com a Avenida do Pecado: falso endereço da felicidade. No amor, o mito - aflito pedido na outorga imatura concedida de fora para dentro  (doentia  ilusão do falso mergulho nas escuras e gélidas águas da superficialidade ); na liberdade, a ausência do grito - outro mito, atrito invertido na ordem do reclamante,  ainda mais ausente na demanda por emancipação. Ilusão sobra ilusão no descarado acúmulo de transferências: minha máxima culpa é  passe cobrado pelo poder de barganha pessoal diretamente ligado à capacidade de compreender os sentidos de valoração e a valoração dos sentidos. Falar não é delito, mas acusa o acusado em franca transgressão. Deixar de dizer é morrer em vias de sangue corrente, sentido ausente à vontade de viver.
                             Escondem-se ou substituem-se os sentidos não arguidos? Simulacres et Simulation, de Jean Baudrillard (1981) é um interessante, divertido ( poético?) e irônico tratado sobre a realidade, os símbolos e a sociedade,  no qual o autor discute a contemporânea experiência humana. O sociólogo francês não se fez ressarcir das polêmicas e controvérsias levantadas. Afirma na obra que a realidade deixou de existir pela força e peso dos símbolos, e chama de  "simulacros" as simulações malfeitas do real,  muito mais atraentes aos olhos do espectador do que a própria realidade. Baudrillard "tomou" o bonde da sanidade  e assentou-se em meio aos terrenos trilhos da existência moldável. Viveu!
                        Então, pagar pelo "direito de passagem"  exigido no percurso das  vias de nossas experiências é uma "fria" ou um "investimento"? Quando um investimento deixa de ser uma fria? A pergunta têm endereço geopolítico e adere à conjuntura cultural: amor e liberdade armam-se de arames mais ou menos truncados na blindagem da consciência. Unir ambos é uma equação de múltiplas variáveis e discutíveis resultados. A matemática não se faz exata nas conversas de lábio aberto. E o lugar  da poesia perde abrigo quando as "farpas" do vazio aparente - só aparente, uma vez que o vazio preenche-se de si mesmo - transforma-se em taxa de indexação: voa pelas linhas desertas quem reconhece  a emoção nos sentidos, os sentidos sentidos,  e o amor que nada tem a ver com qualquer deles. Ou tem, desde que não se pague a transferência de caixa torácica para o lugar mais acessível aos índices de nossa estagnação. Classificam-se emoções...
                    Olhos fechados grudam-se sob o peso da poeira: poeira é depósito de memórias nas vias cujo pedágio é lucro sem outorga.
                         Vai um sopro aí?

"Certas coisas se sentem com o coração. Deixa falar o teu coração, interroga os rostos, não escutes as línguas."
Umberto Eco


Ivane Laurete Perotti

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

EM MARCHA...

EM SESSÃO, A CESSÃO DAS SEÇÕES

- ordinárias reuniões dão posse a lugares negociados  -

"...Tu dizes que a verdade produz frutos...
Já viste as flores que a mentira dá?"
 Mário Quintana

                            Os sentidos cruzaram os dedos na Casa dos Parlamentares.  Vai daqui, vem de lá, o sistema bicameral muda a língua de acordo com a necessidade alheia. Muda a língua, a língua muda e os discursos atravessam a morbidez do tempo alheado. Alio ao alheio o alheado. Do verbo aos adjetivos sobram acidentes no percurso das frases feitas, mas não se destampa o rombo do alienado - cedem à loucura os vendilhões transferidos de lugar na tumba dos faraós pelados. Não é pornografia o posto no parágrafo. Explica-se, ou imagina-se a possibilidade de suspender a semântica em detrimento da extravagância. Que seja!
                            Com escusas pelos trocadilhos sem graça ou /des/graçados na epopeia dos fatos, este é apenas um prólogo - do teatro grego, indica a primeira parte da tragédia anunciada ( Gabriel Garcia Márquez  não deve ter suposto tal versatilidade para a trama de uma peça politicamente versada em lasanha e...pizza assada em forno de vidro) - ou o que se deseje nomear à vontade de dividir a língua em duas : serpentes da democrata covardia! Bífida língua que não ajusta ao sujeito a necessidade de convencimento imediato. A que vem a língua mãe? As mães não vêm à língua, pois que nelas falta-lhes a corruptela: arraial de garimpeiros em pedaços de terra virgem não conduzem ao berço pátrio. Conduzem? A língua é mãe benta nas tarefas de fazer-se e ser "feita", camaradagem sinestésica à margem da realidade.
                  Todo o cruzamento de sentidos neste lúgubre texto são brindes ao inexplicável, inesgotável, inquebrantável poder das seções - que se dê ouvidos ao lugar de cada marca morfológica nesta tríade fonética/fonológica ( saudade do hífen? Ora, ora, ele se esconde embaixo da assonância curva que permanece no mesmo ambiente linguístico. Vedi ragazza, la pizza che brucia! )  - nas sessões de nossos palradores , contumazes legisladores da secreta vontade de imperar. Aqui dou razão ao meu filho menor e levanto malas e falas ao Japão Imperial: diante da corte real, dobram-se joelhos e canelas, mantas e velas, em adeus à liberdade de justificar a cessão do povo trabalhador. Dai posse àquele que rompe o dia em dia que anoitece. Dai legitimidade ao que planta e vota no âmbito da iniquidade. Dai guarida aos filhos desta vasta terra de poucos donos, tronos de homens e ratos, bandos de gatos, felinos de língua comprida.
                  Lugares negociados em telhados de marmotas são tiros no pé do vizinho, do amiguinho e daqueles todos que se escondem atrás do saco ... de azeviche. Vidro escuro do Parlamento: joias de fantasia polidas a palavras de curto cano. Tudo igual: nada se diz e tudo se movimenta ... para fora do lugar de origem. Recupera-se o sentido? Que sentido ? Aquele que aderiu à boca grossa das desvalias? Ou, aquele que teima em queimar a alma carente, sedenta alma das verdades mal colhidas? As verdades ( se é que existem) não se  permitem  fluvial  plantio; antes,  criam raízes em palanques oficiais como se fossem trepadeiras escandentes. Com dentes, pois à fome junta-se a vontade de esconder as fatias do bolo. Bolo com recheio de mãos gananciosas, cobertura de pouca-vergonha e decoração ao gosto da encomenda. Entenda !
                       Sem compromisso com o ato, falho ato de interpretação duvidosa, passo o prólogo estendido para o causo adiante. Adianta? Que  2016 não prolongue a eclipse social. Espera-se ou adianta-se... muda o fato?

Ivane Laurete Perotti


domingo, 13 de dezembro de 2015

BÍFIDAS ESCAMAS

GÁRGULAS BRASILIENSES

- desaguadouros políticos entopem os canos da vergonha pública -


"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” 
Ruy Barbosa

                                 La Gargouille , se foi ou não uma lenda francesa a espalhar tórrido medo sobre os aldeões de Rouen, reveste-se  aqui de atualidade  visceral que em tudo lembra o Brasil às margens do rio Sena e o seu próprio - impróprio - dragão insaciável, impassível a qualquer forma de exorcismo judicial.
                             O Estado Brasileiro - divisão político-administrativa que deu cria a inúmeros dragões fecundos e vorazes cuja "ninhada" acolhe a si mesma em "nichos" de complexo enredamento alimentar   - cospe fogo sobre os candangos espalhados por um território assombrado pela peste da impunidade institucionalizada.
                             Quanto engole um dragão elevado ao topo da cadeia política? Qual o tempo de sua vida útil? ( /útil/ = processo ativo e permanente de apropriação dos bens comuns tomados a pulso fino e sob os olhares de aprovação do mercado das negociatas administrativas  ad aeternum, para sempre, amém !) Que extensão percorre um dragão empossado pelo /de/voto popular na história das bocarras bem-dentadas ? ( em obediência à cartilha AINDA não sancionada pela senhora  president/a/ da república dos dragões, o hífen faz-se presente e diacriticamente inverso ao poder de coesão entre palavras e discursos : Dilma adia...adia a Dilma...é dia Dilma,alerta a confraria ...Suicídio inútil na linguagem padrão - padrão? Existe um? ) Parênteses cansam a vista e o espírito, mas personificam drasticamente ( draconianamente, e Drácon nada tem a ver com este texto. Tem? Que se chame às falas o direito do Direito antes que o dia termine) as locuções e os hiatos disfarçados em comuns pesadelos da população brasileira  mastigada em tempero de adiamentos e lacunas sem tratamento legal. Tudo igual! Nem mesmo a fraca rima sobrevive às repetições de nossa história hipócrita, abusiva e deteriorada. Dragões da Independência! Com todo o respeito, chore quem puder ! Pelas barbas ausentes do senhor Vice-Rei do Estado, a ordem régia de 31 de janeiro de 1765 deve lembrar-nos a fuga napoleônica que mais tarde reorganizaria a Cavalaria de Honra como resgate da tradição histórica. Outro apelo ao choro catártico e ao lugar da honra, do mérito e da vergonha neste país de muitos dragões alojados em intocáveis cavernas de poder. Quando deixaremos de alimentar as bífidas figuras escamadas que serpenteiam anônima e descaradamente sobre as nossas costas esfoladas?
                                  Gárgulas enfeitam o Planalto, mas os canos da corrupção entupiram-se sem mostrar a cabeça dos monstros que ainda não vieram a furo, nem virão. Claro! A mitologia é apenas uma forma icônica de escrever os medos e imputá-los aos que devem ser controlados... e dizimados.
                                   Se a máxima "... todo o povo tem o governo que merece ..." diz de nós o que não sabemos, onde começa o pecado e termina a penitência? Perguntas também cansam, e as respostas não secam as lágrimas de uma nação tripudiada, e sequer alcançam a fome da ignorância administrada.

"Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo."
Eça de Queirós


Ivane Laurete Perotti

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A QUEM INTERESSAR POSSA...

E AS PRAGAS  ALASTRAM-SE

-  que o céu não seja culpado pelo que o homem faz contra a humanidade -

 "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons. " (grifo meu)
                                      Martin Luther King      
                                     
                                       Pelos séculos e séculos vêm pragas e rondam assombros. Aos interessados cabe encontrar roedores estrangeiros para despejarem a culpa. Por interessados, leia-se, sem riscos de interpretabilidade jurídica, responsáveis criminosos; por estrangeiros, não se leia: calar também é mortal! E a ambiguidade é o silêncio pago pelos discursos multifacetados de enfadonha repetição. De manobras em manobras  desavergonhadas este país enterra-se em lama pútrida. Arrasta à morte o povo desassistido como se não fosse crime matar em nome de um sistema que protege 1) as rãs:  continuidade da primeira praga bíblica, elas jamais deixaram de existir e preferem reproduzir-se em solo pátrio, solum brasilia  (rãs declinam o latim das arábias) , motivadas pelo abundante lodo político; 2) os gafanhotos: Sebeque - o deus-inseto do antigo Egito - estabeleceu morada definitiva aqui, difunde-se  em  pançudos gafanhotos, forma enxames, ocupa  o governo desde sempre para sempre com a  garantia de fartas e contínuas devastações - nenhum riscos de controle - comem ostensivamente e engordam as patas traseiras para os saltos impunes. Gafanhotos galgam sucesso e transmitem uma doença incurável  transmitida por contato: corrupção! Os ávidos  polífagos  também beijam, dormem, defecam ... mas esta é outra história; 3) as águas em sangue : o sangue de muitos mineiros misturou-se à lama tóxica que matou Mariana, mineiros que só faziam sobreviver aos gafanhotos de pernas fortes e aos detritos que produzem e liberam em águas alheias: alheias aos peixes, às tartarugas, ao meio ambiente , ao céu que testemunha o silêncio imposto por interesses conhecidamente conhecidos. Ai! repetição infernal! 4) as chuvas de pedras: o Brasil convidou oficialmente aos deuses Íris e Osíris para reinarem sobre os elementos da natureza a partir do Planalto Nacional com honras e méritos. Uai! Claro que ambos aceitaram! O campo está limpo para a guerra entre a água e o fogo e no Portal do Cidadão os deuses queimam oferendas em águas temperadas por lava-jatos e outros aplicativos de alto custo - aos bolsos do povo, óbvio! ; 5) aos piolhos : esta praga exime a si mesma de metáforas e comentários, mas bem que... vi alguns hoje cedo na televisão e, que Tot me desculpe, mas nem ele mesmo esperava por tanto e tantos!; 6) as moscas: moscões, moscas, picadores, insetos comuns às áreas rurais e urbanas - e alguém ainda duvida? ; 7) as feridas: feridas na alma, no corpo , na história não contada, entorpecida, distorcida, desfocada. Feridas marcam o povo brasileiro à bala e à vergonha, à fome e à ignorância, a medo e a silêncio, à pestilência da saúde, com o engodo da educação, à negação da civilidade, com o desabrigo... putrefatas feridas abrem-se às margens plácidas do Ipiranga - sempre estiveram ali, monitoradas de cima e de longe!; 8) a escuridão total: é um privilégio para os que veem o precipício e preferem fazer a volta da ignorância calculada; 9) a morte aos primogênitos: Êxodos é um livro, ou capítulo que trata sobre o trono e suas veleidades. Primogenitura é a tradição de manutenção da riqueza entre os dedos da mesma mão, salvo os demais e pertinentes conceitos. Especificamente no Brasil, esta praga recai de modo torto, ou adequado, sempre adequado, aos interesses de manutenção do poder entre os mesmos bolsos. Primogênitos? Com tantas cabeças a prêmio, os brasileiros se esforçam por acreditar na justiça dos homens, tanto quanto sabem que esta é uma esperança vã. ? Rãs, gafanhotos, piolhos...Não! As pragas não estão em ordem bíblica e nem estão completas neste texto de um só parágrafo. Parece coerentemente suficiente ( e tem mais?): este é um texto de ficção! Não é?


Ivane Laurete Perotti