sábado, 26 de dezembro de 2015

DE IRMÃO PARA IRMÃ...


HISTÓRIA DE AMOR...

PARA A MINHA MENINA...


PARA O MEU AMOR...

ANIVERSÁRIO É CICLO DE VONTADE, ESCOLHA E MATURIDADE. PARA O AMOR DE MINHA VIDA...DENI PEROTTI: MINHA FILHA DESDE SEMPRE!



SOBEJAM...


BEM-FEITO ...


RISCO


JAZ O LÍRIO


PAUSA


TAXAS DA CONSCIÊNCIA

PEDÁGIO PARA O AMOR E A LIBERDADE

- direito de passagem no ritmo da vida concessionada -

"A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência."
Mahatma Gandhi

                                Olhos fechados não sentem o estrago da poeira na via deserta, mas conferem verdade ao simulacro da solidão que   sustenta a  pávida debilidade da covardia. Ao forte, a morte da ignorância; ao débil, a sobrevivência inglória na multidão vazia. E assim caminha o homem no espaço criado pela limitação de seu desbotado conhecimento: carcaças desprovidas de alma afinam o prumo... inúmeros corpos vazios trilham o rumo, sem lume, vão para lugar nenhum.
                              Povoar a consciência requer vontade e escolha: dois vórtices em  ângulos afilados pela política da concessão. Concede quem aceita o acordo não lavrado no cartório dos "avisados" - contrária lei da legalidade.  Ao passante da vida comum cobra-se o pedágio para o amor e a liberdade, esquina entre a Rua do Contrito com a Avenida do Pecado: falso endereço da felicidade. No amor, o mito - aflito pedido na outorga imatura concedida de fora para dentro  (doentia  ilusão do falso mergulho nas escuras e gélidas águas da superficialidade ); na liberdade, a ausência do grito - outro mito, atrito invertido na ordem do reclamante,  ainda mais ausente na demanda por emancipação. Ilusão sobra ilusão no descarado acúmulo de transferências: minha máxima culpa é  passe cobrado pelo poder de barganha pessoal diretamente ligado à capacidade de compreender os sentidos de valoração e a valoração dos sentidos. Falar não é delito, mas acusa o acusado em franca transgressão. Deixar de dizer é morrer em vias de sangue corrente, sentido ausente à vontade de viver.
                             Escondem-se ou substituem-se os sentidos não arguidos? Simulacres et Simulation, de Jean Baudrillard (1981) é um interessante, divertido ( poético?) e irônico tratado sobre a realidade, os símbolos e a sociedade,  no qual o autor discute a contemporânea experiência humana. O sociólogo francês não se fez ressarcir das polêmicas e controvérsias levantadas. Afirma na obra que a realidade deixou de existir pela força e peso dos símbolos, e chama de  "simulacros" as simulações malfeitas do real,  muito mais atraentes aos olhos do espectador do que a própria realidade. Baudrillard "tomou" o bonde da sanidade  e assentou-se em meio aos terrenos trilhos da existência moldável. Viveu!
                        Então, pagar pelo "direito de passagem"  exigido no percurso das  vias de nossas experiências é uma "fria" ou um "investimento"? Quando um investimento deixa de ser uma fria? A pergunta têm endereço geopolítico e adere à conjuntura cultural: amor e liberdade armam-se de arames mais ou menos truncados na blindagem da consciência. Unir ambos é uma equação de múltiplas variáveis e discutíveis resultados. A matemática não se faz exata nas conversas de lábio aberto. E o lugar  da poesia perde abrigo quando as "farpas" do vazio aparente - só aparente, uma vez que o vazio preenche-se de si mesmo - transforma-se em taxa de indexação: voa pelas linhas desertas quem reconhece  a emoção nos sentidos, os sentidos sentidos,  e o amor que nada tem a ver com qualquer deles. Ou tem, desde que não se pague a transferência de caixa torácica para o lugar mais acessível aos índices de nossa estagnação. Classificam-se emoções...
                    Olhos fechados grudam-se sob o peso da poeira: poeira é depósito de memórias nas vias cujo pedágio é lucro sem outorga.
                         Vai um sopro aí?

"Certas coisas se sentem com o coração. Deixa falar o teu coração, interroga os rostos, não escutes as línguas."
Umberto Eco


Ivane Laurete Perotti

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

EM MARCHA...

EM SESSÃO, A CESSÃO DAS SEÇÕES

- ordinárias reuniões dão posse a lugares negociados  -

"...Tu dizes que a verdade produz frutos...
Já viste as flores que a mentira dá?"
 Mário Quintana

                            Os sentidos cruzaram os dedos na Casa dos Parlamentares.  Vai daqui, vem de lá, o sistema bicameral muda a língua de acordo com a necessidade alheia. Muda a língua, a língua muda e os discursos atravessam a morbidez do tempo alheado. Alio ao alheio o alheado. Do verbo aos adjetivos sobram acidentes no percurso das frases feitas, mas não se destampa o rombo do alienado - cedem à loucura os vendilhões transferidos de lugar na tumba dos faraós pelados. Não é pornografia o posto no parágrafo. Explica-se, ou imagina-se a possibilidade de suspender a semântica em detrimento da extravagância. Que seja!
                            Com escusas pelos trocadilhos sem graça ou /des/graçados na epopeia dos fatos, este é apenas um prólogo - do teatro grego, indica a primeira parte da tragédia anunciada ( Gabriel Garcia Márquez  não deve ter suposto tal versatilidade para a trama de uma peça politicamente versada em lasanha e...pizza assada em forno de vidro) - ou o que se deseje nomear à vontade de dividir a língua em duas : serpentes da democrata covardia! Bífida língua que não ajusta ao sujeito a necessidade de convencimento imediato. A que vem a língua mãe? As mães não vêm à língua, pois que nelas falta-lhes a corruptela: arraial de garimpeiros em pedaços de terra virgem não conduzem ao berço pátrio. Conduzem? A língua é mãe benta nas tarefas de fazer-se e ser "feita", camaradagem sinestésica à margem da realidade.
                  Todo o cruzamento de sentidos neste lúgubre texto são brindes ao inexplicável, inesgotável, inquebrantável poder das seções - que se dê ouvidos ao lugar de cada marca morfológica nesta tríade fonética/fonológica ( saudade do hífen? Ora, ora, ele se esconde embaixo da assonância curva que permanece no mesmo ambiente linguístico. Vedi ragazza, la pizza che brucia! )  - nas sessões de nossos palradores , contumazes legisladores da secreta vontade de imperar. Aqui dou razão ao meu filho menor e levanto malas e falas ao Japão Imperial: diante da corte real, dobram-se joelhos e canelas, mantas e velas, em adeus à liberdade de justificar a cessão do povo trabalhador. Dai posse àquele que rompe o dia em dia que anoitece. Dai legitimidade ao que planta e vota no âmbito da iniquidade. Dai guarida aos filhos desta vasta terra de poucos donos, tronos de homens e ratos, bandos de gatos, felinos de língua comprida.
                  Lugares negociados em telhados de marmotas são tiros no pé do vizinho, do amiguinho e daqueles todos que se escondem atrás do saco ... de azeviche. Vidro escuro do Parlamento: joias de fantasia polidas a palavras de curto cano. Tudo igual: nada se diz e tudo se movimenta ... para fora do lugar de origem. Recupera-se o sentido? Que sentido ? Aquele que aderiu à boca grossa das desvalias? Ou, aquele que teima em queimar a alma carente, sedenta alma das verdades mal colhidas? As verdades ( se é que existem) não se  permitem  fluvial  plantio; antes,  criam raízes em palanques oficiais como se fossem trepadeiras escandentes. Com dentes, pois à fome junta-se a vontade de esconder as fatias do bolo. Bolo com recheio de mãos gananciosas, cobertura de pouca-vergonha e decoração ao gosto da encomenda. Entenda !
                       Sem compromisso com o ato, falho ato de interpretação duvidosa, passo o prólogo estendido para o causo adiante. Adianta? Que  2016 não prolongue a eclipse social. Espera-se ou adianta-se... muda o fato?

Ivane Laurete Perotti


domingo, 13 de dezembro de 2015

BÍFIDAS ESCAMAS

GÁRGULAS BRASILIENSES

- desaguadouros políticos entopem os canos da vergonha pública -


"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” 
Ruy Barbosa

                                 La Gargouille , se foi ou não uma lenda francesa a espalhar tórrido medo sobre os aldeões de Rouen, reveste-se  aqui de atualidade  visceral que em tudo lembra o Brasil às margens do rio Sena e o seu próprio - impróprio - dragão insaciável, impassível a qualquer forma de exorcismo judicial.
                             O Estado Brasileiro - divisão político-administrativa que deu cria a inúmeros dragões fecundos e vorazes cuja "ninhada" acolhe a si mesma em "nichos" de complexo enredamento alimentar   - cospe fogo sobre os candangos espalhados por um território assombrado pela peste da impunidade institucionalizada.
                             Quanto engole um dragão elevado ao topo da cadeia política? Qual o tempo de sua vida útil? ( /útil/ = processo ativo e permanente de apropriação dos bens comuns tomados a pulso fino e sob os olhares de aprovação do mercado das negociatas administrativas  ad aeternum, para sempre, amém !) Que extensão percorre um dragão empossado pelo /de/voto popular na história das bocarras bem-dentadas ? ( em obediência à cartilha AINDA não sancionada pela senhora  president/a/ da república dos dragões, o hífen faz-se presente e diacriticamente inverso ao poder de coesão entre palavras e discursos : Dilma adia...adia a Dilma...é dia Dilma,alerta a confraria ...Suicídio inútil na linguagem padrão - padrão? Existe um? ) Parênteses cansam a vista e o espírito, mas personificam drasticamente ( draconianamente, e Drácon nada tem a ver com este texto. Tem? Que se chame às falas o direito do Direito antes que o dia termine) as locuções e os hiatos disfarçados em comuns pesadelos da população brasileira  mastigada em tempero de adiamentos e lacunas sem tratamento legal. Tudo igual! Nem mesmo a fraca rima sobrevive às repetições de nossa história hipócrita, abusiva e deteriorada. Dragões da Independência! Com todo o respeito, chore quem puder ! Pelas barbas ausentes do senhor Vice-Rei do Estado, a ordem régia de 31 de janeiro de 1765 deve lembrar-nos a fuga napoleônica que mais tarde reorganizaria a Cavalaria de Honra como resgate da tradição histórica. Outro apelo ao choro catártico e ao lugar da honra, do mérito e da vergonha neste país de muitos dragões alojados em intocáveis cavernas de poder. Quando deixaremos de alimentar as bífidas figuras escamadas que serpenteiam anônima e descaradamente sobre as nossas costas esfoladas?
                                  Gárgulas enfeitam o Planalto, mas os canos da corrupção entupiram-se sem mostrar a cabeça dos monstros que ainda não vieram a furo, nem virão. Claro! A mitologia é apenas uma forma icônica de escrever os medos e imputá-los aos que devem ser controlados... e dizimados.
                                   Se a máxima "... todo o povo tem o governo que merece ..." diz de nós o que não sabemos, onde começa o pecado e termina a penitência? Perguntas também cansam, e as respostas não secam as lágrimas de uma nação tripudiada, e sequer alcançam a fome da ignorância administrada.

"Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo."
Eça de Queirós


Ivane Laurete Perotti

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A QUEM INTERESSAR POSSA...

E AS PRAGAS  ALASTRAM-SE

-  que o céu não seja culpado pelo que o homem faz contra a humanidade -

 "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons. " (grifo meu)
                                      Martin Luther King      
                                     
                                       Pelos séculos e séculos vêm pragas e rondam assombros. Aos interessados cabe encontrar roedores estrangeiros para despejarem a culpa. Por interessados, leia-se, sem riscos de interpretabilidade jurídica, responsáveis criminosos; por estrangeiros, não se leia: calar também é mortal! E a ambiguidade é o silêncio pago pelos discursos multifacetados de enfadonha repetição. De manobras em manobras  desavergonhadas este país enterra-se em lama pútrida. Arrasta à morte o povo desassistido como se não fosse crime matar em nome de um sistema que protege 1) as rãs:  continuidade da primeira praga bíblica, elas jamais deixaram de existir e preferem reproduzir-se em solo pátrio, solum brasilia  (rãs declinam o latim das arábias) , motivadas pelo abundante lodo político; 2) os gafanhotos: Sebeque - o deus-inseto do antigo Egito - estabeleceu morada definitiva aqui, difunde-se  em  pançudos gafanhotos, forma enxames, ocupa  o governo desde sempre para sempre com a  garantia de fartas e contínuas devastações - nenhum riscos de controle - comem ostensivamente e engordam as patas traseiras para os saltos impunes. Gafanhotos galgam sucesso e transmitem uma doença incurável  transmitida por contato: corrupção! Os ávidos  polífagos  também beijam, dormem, defecam ... mas esta é outra história; 3) as águas em sangue : o sangue de muitos mineiros misturou-se à lama tóxica que matou Mariana, mineiros que só faziam sobreviver aos gafanhotos de pernas fortes e aos detritos que produzem e liberam em águas alheias: alheias aos peixes, às tartarugas, ao meio ambiente , ao céu que testemunha o silêncio imposto por interesses conhecidamente conhecidos. Ai! repetição infernal! 4) as chuvas de pedras: o Brasil convidou oficialmente aos deuses Íris e Osíris para reinarem sobre os elementos da natureza a partir do Planalto Nacional com honras e méritos. Uai! Claro que ambos aceitaram! O campo está limpo para a guerra entre a água e o fogo e no Portal do Cidadão os deuses queimam oferendas em águas temperadas por lava-jatos e outros aplicativos de alto custo - aos bolsos do povo, óbvio! ; 5) aos piolhos : esta praga exime a si mesma de metáforas e comentários, mas bem que... vi alguns hoje cedo na televisão e, que Tot me desculpe, mas nem ele mesmo esperava por tanto e tantos!; 6) as moscas: moscões, moscas, picadores, insetos comuns às áreas rurais e urbanas - e alguém ainda duvida? ; 7) as feridas: feridas na alma, no corpo , na história não contada, entorpecida, distorcida, desfocada. Feridas marcam o povo brasileiro à bala e à vergonha, à fome e à ignorância, a medo e a silêncio, à pestilência da saúde, com o engodo da educação, à negação da civilidade, com o desabrigo... putrefatas feridas abrem-se às margens plácidas do Ipiranga - sempre estiveram ali, monitoradas de cima e de longe!; 8) a escuridão total: é um privilégio para os que veem o precipício e preferem fazer a volta da ignorância calculada; 9) a morte aos primogênitos: Êxodos é um livro, ou capítulo que trata sobre o trono e suas veleidades. Primogenitura é a tradição de manutenção da riqueza entre os dedos da mesma mão, salvo os demais e pertinentes conceitos. Especificamente no Brasil, esta praga recai de modo torto, ou adequado, sempre adequado, aos interesses de manutenção do poder entre os mesmos bolsos. Primogênitos? Com tantas cabeças a prêmio, os brasileiros se esforçam por acreditar na justiça dos homens, tanto quanto sabem que esta é uma esperança vã. ? Rãs, gafanhotos, piolhos...Não! As pragas não estão em ordem bíblica e nem estão completas neste texto de um só parágrafo. Parece coerentemente suficiente ( e tem mais?): este é um texto de ficção! Não é?


Ivane Laurete Perotti

domingo, 15 de novembro de 2015

FALSO REAL...


FRONTEIRAS...





FRONTEIRAS DO MUNDO...MÃOS SEM COR!


TANTO QUANTO


TANTO AQUI QUANTO LÁ... SOMOS UM!


FERIDAS DO MUNDO...


LÁGRIMAS DO MUNDO...


... FERIDAS SEM FUNDO!



CLEMÊNCIA...

APAGARAM O SOL

- um fio de vida esconde-se das nuvens carregadas de ódio -


“Não é difícil escapar da morte. (...) O mais difícil é escapar da maldade, pois ela é mais rápida do que nós.”  Sócrates


                                Veio a dor depois da dor. Dor amarfanhada em camadas de pó de vidro: pontas cortantes alojadas dentro e fora do corpo enlutado. Dor do silêncio sem as vozes que passeiam pelos sentidos e emoções de vontade, parentesco, amizade e aconchego. Dor calejada no corte das alegrias carregadas em abraços quentes.
                               Braços sem vida pendem ao lado de corpos vazios, lágrimas criam sulcos pela face da perda, vultos assustados escondem-se por trás das portas escancaradas, olhos petrificam-se na injusta retirada; mãos alcançam o nada e voltam vazias de alguém.
                                 Alguém corre sobre o rio de sangue que plastifica a história atual em história processualmente antiga: perene história no vinco do tempo de hoje e de ontem, tresantontem, anteontem.
                                O conflito não pede passagem pelas vias dos acontecimentos: avança tomando o lugar de poder e maldade, bancada nefasta que instala conceitos triturados na máquina da violência investida; estratégias de poucos, morte de muitos.
                              A fornalha da iniquidade usurpa à boca grande os corpos sem nome, os sonhos interrompidos, as ideias sem esboço, a poesia a caminho dos versos. Mata-se o homem, enterra-se a esperança. Órfãos do amor e da paz procuram pelas mãos da justiça universal, comum ao ser social: contemporâneo hominídeo, homo erectus , primatas fossilizados pela ignorância glacial. Mata-se o processo da evolução na prancheta do tempo. Que tempo?
                               Morre o sol da carne, derrama-se o ventre da terra sobre a crosta de barbárie e as almas peregrinam pelas trilhas da partida impensada. O resgate da vida espreita das frias salas de convenções, dos espaços "politicus"  passados ao ferro dos interesses para além do Estado de fato. Fato! "... o homem é um animal político..." A máxima do filósofo de Estagira transpassa hoje um eufemismo irônico e doentio. Teria Aristóteles antevisto o animal sapiens em seu avantajado e ímpar poderio de esmerada devastação?
                               Um legado tortuoso encobre o sol da terra mas não abafa o grito de multidões: grito em uma única nota, tortuosa nota que inicia e termina em /dó/. Não há frases musicais, não se ouve a cantata das etnias esfaceladas em pré-interesses; mãos assassinas escondem-se por trás de decisões escusas, trucidam inocentes e cegos caminhantes da/s/ polis/poleis aglutinada/s/ em currais de abate: úteros violados.
                               Sacrílegos servos da intolerância inauguram mais uma era mortal. Que não se espere camadas de sal para encobrir os pecados sociais. Pois, em existindo pecado, há de se pensar que tem a face da indiferente apatia que nos guia e entorpece diante do mal. Em existindo o mal, que seja identificado nas carteiras  daqueles que não representam o bem comum, o senso de comunidade e nem fazem votos à sapiência confiada: nódulo aberto na espinha dorsal da humanidade.
                               Apaga-se o sol dos olhos viventes. Apaga-se o sol de um agora cristalizado em sangue inocente: o frio caminha a passos largos e os mantos foram recolhidos por mãos homicidas, nem sempre molhadas pela vida que escorre ao largo das calçadas.
                              Mãos assépticas comandam a história não contada, desfalcada das entrelinhas que explicam a intrincada trama dos interesses de poucos sobre os muitos desavisados.
                              Existem inúmeras nuvens entre o sol moribundo e o nosso desconhecimento controlado. Nuvens grossas e não identificadas pesam na abóbada das lideranças : o firmamento desfigurado não tem mais lastro para o choro que sobe da Terra. Choro de uma nota /só/. Choro que se anuncia em /dó/.

Ivane Laurete Perotti

domingo, 8 de novembro de 2015

CIÊNCIA E ABUNDANTE POESIA

ANDARILHA DOS SONHOS

-  ciência e história rimam em poesia palpável pelas mãos do coração -

" Ressignificar a ciência é como abrir portas para a compreensão do mundo e sua preservação consciente. Museus não são arquivos do passado... podem ser luz para um futuro saudável." Ivane

                                  Um diálogo de muitas vozes  corre vivo pelo patrimônio do MCM/UFMG em Belo Horizonte. À frente de um trabalho visionário e belamente efetivado pelo esforço de uma acadêmica sonhadora, a capacidade de tornar viva as esferas das ciências biológicas rima sem medo com a pedagogia da consciência. A esperança no conhecimento partilhado fez da professora Maria das Graças Ribeiro uma andarilha dos sonhos concretos. A esperança obstinada em fazer chegar à comunidade a compreensão do corpo humano ganha cores, tamanhos, proporções de grandeza ímpar: a magia do fazimento em equipe é prosa tão doce que convida à visita orientada. Parceiros de sonhos recorrentes apresentam "A célula ao alcance da mão" e entregam de mão beijada o coração do projeto: acessibilidade e  inclusão social. Aos peregrinos do conhecimento desenha-se diante dos olhos que não veem os traços definidos microscopicamente de tecidos,  órgãos e sistemas orgânicos que nos asseguram a vida em suas artimanhas nem sempre dedutíveis.
                                Mãos musicais trabalham resinas e gessos recriando emoções e sentimentos a médio e curto prazo. O museu ressalta a vida, desenha caminhos de compreensão e conhecimento transdisciplinar sem perder a poesia da graça, de Maria das Graças, a professora da comunhão entre academia e comunidade, da ciência e da curiosidade, do conceito público do fazer alinhado às esferas do tempo presente: se há um futuro a ser escrito, há também um passado inscrito no presente que deve ser pesquisado em sua completa real/idade/.
                                  A professora de muitos sonhos entregou-se à luta pela saúde, pelo desdobramento das pesquisas, pela acessibilidade das descobertas e pelo garimpo da beleza vital: ao conhecedor de suas próprias estruturas, o dever de mantê-las em estado de sóbria vitalidade. Assumir a responsabilidade pela   própria vida depende do saber orientado e era assim que a grande catedrática dialogava. Maria das Graças conhecia o fluxo ininterrupto da vida que bebe do Caduceu de Mercúrio e a ele retorna em contínuo devir, incompleto e pleno vir a ser no fluxo das estruturas biológicas.
                                 Os corredores do MCF da Universidade Federal em Belo Horizonte transcendem aconchego. Reais e fidedignas peças amalgamam  educação e ciência aos pés da pedagogia ativa, autossustentada, capacitada para o rapport direto e imediato - relatórios da vida são premissas para um olhar atravessado pelas possibilidades de cuidado consciente, uma forma de manter a poesia no coração da ciência.
                                À professora, andarilha dos sonhos, o abraço eterno das estrelas luminosas, lugar de seu endereço atual.
                                Pela graça de Maria Ribeiro, a das Graças e das ações concretas, vale visitar o Museu de Ciências Morfológicas do Instituto de Ciências Biológicas, Campus Universitário da Pampulha, UFMG, considerando sentir nas mãos a poesia mágica que dá sentido ao trabalho dos grandes mestres.
                               À mulher que permanece  sendo, a gratidão por amar o conhecimento e oferecê-lo a todos nós.
                              Para Maria das Graças Ribeiro, bióloga das possibilidades: um alegre réquiem à competência poética.


Ivane Laurete Perotti

sábado, 31 de outubro de 2015

AGONIA DE UMA ESPERANÇA

MULHERES  NA PRAÇA DA LIBERDADE

- o ENEM da vida ultrapassa os limites do Ensino Nacional -

    "É horrível assistir à agonia de uma esperança."
       Simone de Beauvoir

                                       Nesgas de lucidez  configuram  lucidez: ponto.
                                      Milhares de brasileiros no último final de semana configuram o ENEM, dois pontos: uma estratégia de avaliação empacotada em formas generalizadas de conhecimento não disponíveis nas lojas de atacado e escolas engessadas. Onde entra a lucidez no quadro dos hiatos invisíveis aos olhos ingênuos?
                                     A qualidade do entendimento permaneceu do lado de fora das salas abarrotadas por candidatos ansiosos, entre rosários de fervorosas jaculatórias e promessas de naturezas outras. Rogai pelas mães dos candidatos, únicas a manterem-se lúcidas e calçadas em inflamada fé prodigiosa. Assim é no paraíso das possibilidades.
                                   Longe da natureza discutível dos enunciados  e conteúdos entalhados nas questões retorcidas em avaliação, distintas mães mastigavam o lapso do tempo decorrido entre a hora da estreita passagem pelos portões bem guardados por seguranças uniformizados e a possível hora da saída pelos mesmos portões. Não! Já não eram os mesmos portões! Uma vez que engolidos foram os filhos precavidos, outros permaneciam do lado de fora a debulharem lágrimas sentidas  ou a encenarem ridículas pantomimas de duvidoso talento teatral. Há sempre os que choram o choro das carpideiras diante do luto alheio. Enfim, a natureza humana supera-se em bizarras estultices, como afirmava Umberto Eco: "Existe apenas uma coisa que excita os animais mais do que o prazer, é a dor."  E que se entenda por animais toda a fauna social não coroada pela lúcida humanidade - esta última é um prêmio que configura evolução, mas o tema é para outro quadro anedótico!
                               Na Praça da Liberdade, centro de Belo Horizonte, as mães esperançosas teciam brócolis. Sim, aquelas pequenas formas retorcidas em panos coloridos que também recebem o nome de "fuxico". Não fuxicavam as ditosas mães, pois mãe de candidato do ENEM  reza, ora, contempla, medita, intercede, tudo na mesma ordem e princípio do que interessa ao presente-futuro dos filhos no meio do caminho do Ensino Brasileiro. Bendito é o fruto do aprendizado, mas já não se faz estudo e estudantes como antigamente - uma vez que da escola retirou-se a curiosidade e do professor se fez um malabarista da boa vontade.
                            Desdita é a profissão que interfere nos sonhos desprovidos de iníqua qualificação, mas diante das promessas de sobrevivência e nesgas de lúcida vontade, as mães não entoam discursos esfarrapados: esfarrapam-se elas próprias para alcançarem aos filhos um olhar para a frente, à frente da realidade.
                           "Todas as vitórias ocultam uma abdicação" , deixou dito Simone de Beauvoir , mãe indireta de uma escola de pensamento que arreganha os dentes diante da incompletude do sujeito social. Mal sabia ela que um dia , não distante nem improvável, abriria  azedas questões de interpretabilidade sem garantias. Bem dito que elas não existem: as garantias, pois dizer é dardo lançado ao vento, fadado às intempéries  do tempo e da intencionalidade, alheias à "original" alteridade.
                          E lá estavam elas, as mães genitoras, e a intelectual que não pariu - pariu? são tantos os fuxicos malogradamente transcritos de última hora na/s/ Wikipédia/s/ da vida digital que afirmar sobre uma possível prole da pensadora é um "tiro no pé"!  - a atar os nós da esperança no mesmo cabedal de experiência. Liberdade?


Ivane Laurete Perotti