domingo, 27 de novembro de 2016

ANISTIA?



CAIXA DOIS
– a insanidade de uma anistia: tirânica democracia –

"A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa.” Jô Soares

                                   Se as letras sofressem a erosão dos discursos repetidos e esvaziados tanto quanto as palavras pagam o preço da vergonha semântica, estaríamos diante da necessidade de elaborar outro código alfabético. Tarefa tão descomunal quanto a abissal função política que  -  incólumes? - assumimos: assistir de longe a “banda passar”.  A marcha da corrupção gasta o piso do solo pátrio e, para o conforto daqueles que passam, trocam-se os sapatos! Em ordem alfabética, tensa e gasta, o mesmo discurso! Caixa 1, caixa 2...
                                 Não persigo respostas, desejo perguntas. E para não esfolar as palavras que me restam, vou lembrar algumas frases que a história não pode apagar. Tirando da caixa das grandes falas, eis algumas lembranças:]

O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.” Martin Luther King

Ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade seria uma forma de ação.” Sartre

Brasil: esse estranho país de corruptos sem corruptores.” Luís Fernando Veríssimo

É muito mais fácil corromper do que persuadir.” Sócrates

A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios.” Montesquieu

A democracia é apenas a substituição de alguns corruptos por muitos incompetentes. George B. Shaw

Num estado democrático existem duas classes de políticos: Os suspeitos de corrupção e os corruptos.” David Zac

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.Ruy Barbosa
                             Atemporais? Tristemente, atuais!

Ivane Laurete Perotti


domingo, 20 de novembro de 2016

BELA TELA


MANTA DOCE


ESPOLETAS






                                 QUANDO O AMOR DE UM FILHO FILHO FAZ MOVIMENTOS
                A TERRA MUDA O CURSO PARA A ÓRBITA DA INCONDICIONALIDADE...
                E NÃO HÁ MÃE QUE NÃO SORRIA POR DETRÁS DA INAUDITA E REPETIDA
               FELICIDADE !
               Para a minha filhaDeniele Perotti, a Deni, pelo marabalismo de alcançar uma borboleta no
                                            self de sua incontestável beleza.



GURIA AVÓ...


FALTAS


domingo, 13 de novembro de 2016

FLAGELOS DA DEMOCRACIA



MANIFESTO SILÊNCIO  

- sob os pés do poder nada oculto –

“Julgavam-se livres, mas nunca alguém será livre enquanto houver flagelos.” Albert Camus

                                   Andava descalço aquele menino. Se perdido, a informação não lhe batia continência. Se angustiado, não se lhe apresentava a razão. A crueza dos pés nus cobrava uma distância maior entre a realidade fria e o atrito ressentido: o árido caminho desdobrava cascalhos em pontas de setas. Álgidas setas. Agulhas de coser. Bainhas coladas no limite da consciência tecida em farrapos ideológicos.
                                  Descalço andava aquele menino sobre o solo de seus pais, dos pais de seus pais, dos pais dos pais de seus pais: herança desdita! Maldita sucessão!
                                  A descoberto da história que percorria, andava. Se assim se poderia dizer daquele movimento autômato: andar não significa mover-se para algum lugar; também o instinto carrega-se de força oculta e não provável: insustentável desrazão.
                                 Andava sem chegar o dia em que ... para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acorda os ratos e os manda morrer numa cidade feliz.” (Albert Camus). Não andava feliz, isso provava. Desconhecia alternativas, isso demonstrava no balanço do corpo pequeno. Não comungava entendimento, isso se refletia na sombra dos pés: um atrás do outro, cadência medida nas pegadas anônimas.
                                 Calcanhar de Aquiles furado a toque de recolher: silêncio, menino! Não chore, não coma, não fale, não leia as vidas desvalidas que lhe seguem ou tombam no meio do caminho. Feche os olhos para o que se esgueira do outro lado dos muros da falência social. Não peça por clemência nessa terra de crimes enterrados sob o funeral da injustiça.
                                Não chore, menino descalço. Não pense, menino, “... começar a pensar é começar a ser atormentado” (Albert Camus). É isso o que lhe desejam: não pense! Não pense, não pense! “Pensar é, antes de mais nada, querer criar um mundo.” (Albert Camus) e um mundo é o que lhe negam agora. Mundos são criações de poder e legitimidade, esperanças que se erguem em terras colonizadas. Mas, lacres de indiferença programada não rasgam fronteiras. Não chore, menino!
                              Desejavam contar de suas andanças: silêncio! Desejavam dizer de seus movimentos: silêncio!
                             As páginas dos jornais amanheceram vazias de vozes: silêncio verbal, silêncio visual, silêncio geral.
                            Manifesto silêncio ecoa pela nação de alguém! Quem?
                           Que se registre o inevitável: um país de “sísifos” enterra os seus meninos descalços e não rola montanha acima as pedras de seus crimes. Eles, o meninos, andavam à cata de um movimento de direito ao seu lugar de poder.  Queriam o alimento da saúde, do conhecimento, da arte, da filosofia, da mesa posta. Queriam cantar e sonhar. Queriam ler para viver. Queriam viver para ler... para dizer, criar, construir, para fazer parte da história não contada do lado de cá dos muros da falência instalada.
                          Silêncio! A imprensa livre pode ser boa ou ruim, mas sem liberdade, a imprensa nunca será outra coisa que ruim.” Albert Camus

Ivane Laurete Perotti

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

AH! NEM!



SALDOS, SALTOS E ASSALTOS
- no palco do ENEM: provas à revelia –

Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas...” Rubem Alves

                                      Na “corte brasiliensis” o povo acredita que vai à escola para, na inconclusão dela, laçar à unha o umbral do Exame Nacional do Ensino Médio. É o saldo de estratégias de controle sociopolítico mantidas ao custo de indescritível precariedade.  O ENEM - VEXAME NACIONAL DO ENSINO MEDÍOCRE configura-se na triste comprovação da inconsistência do ensino posto, cobrado e vilipendiado há séculos neste país de acrobatas políticos. À revelia dos discursos pedagógicos, os postulantes à formação universitária se desvelam no registro de respostas teimosas: ruminam perguntas no tabuleiro das filosofias. PEC. PEC. PEC... obscura e tautológica onomatopeia! PEC... PEC... PEC... o salto do poder calça 55!
                                    A debilidade da escola brasileira tem história patenteada no bojo de ações deliberadamente pensadas a fim de manterem inócuos os procedimentos de ensino e aprendizagem. Só não são ainda mais vergonhosas, tais ações, porque no meio do caminho encontram-se professores e alunos. Duas pedras de lapidar. Duas vontades: vergalhões em mar de adversidades. E, por favor, que não se alije a carga de argumentos com “... aqueles ganham pouco...” e, “... esses não querem aprender...”.  Não se alivia a opressão desautorizando o lugar dos sujeitos sociais, e não se nega o óbvio: “Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo...” (Rubem Alves). Pássaros que voam pensam alto: têm o mundo como lugar de aprendizagem. Indivíduos oprimidos desativam o impulso para a constituição da identidade social. PEC... PEC... PEC... o salto do poder calça 36!
                                    Que se apertem os sapatos furados, pois as mancas ideologias fustigam mais uma vez os lugares comuns e os baús das prontas-respostas-prontas não se esgotam na pirataria da vida cotidiana. PEC...PEC...PEC...afunda-se o assoalho da consciência nacional!
                                      Ah! Rubem Alves! Cortam-se asas em tenra idade e nem mais se douram as gaiolas pedagógicas. PEC...PEC...PEC...  eis o som do assalto à lei armada! Mas, como todos os dias corre sangue pela história do Brasil sem guerra deflagrada, basta sobreviver até o próximo roubo: rombo na educação+ rombo na saúde = VEXAME NACIONAL.
                                      Não são os postulantes à escola que não sabem respondem, é a escola que deixou de perguntar.  E agora, enquanto durar a atenção nacional – curto prazo, obviamente – não se falará de outro assunto que não a redação do ENEM, os baixos índices dos estudantes, os focos de falcatruas dentro e fora do MEC, o vazamento de respostas... claro! Bom demais se vazassem questões a serem discutidas, pensadas, reconhecidas, desamassadas, ruminadas, focadas, pontuadas e o que mais fosse possível à natureza das questões. Infrutíferas questões! Deixaram de ter lugar de direito e feito. Já nascem com excesso de indicações, macetes, colchetes e conclusões.  Ah! Rubem Alves... quem dera as suas luzes pairassem sobre nós e talvez, quem dera, pudéssemos reler o que deixou em legado: “O caminho da verdade exige um esquecimento: é preciso esquecer-se do aprendido, a fim de se poder lembrar daquilo
que o conhecimento enterrou
.”
                         PEC...PEC...PEC... ENEM! AH! NEM! AH! NEM!

Ivane Laurete Peroti