domingo, 30 de junho de 2013

FACES ENCOBERTAS


FACES ENCOBERTAS

                                        - A história que se faz não é a história que se conta -


                                             "A história é êmula do tempo, repositório dos fatos,
                                             testemunha do passado, exemplo do presente,
                                             advertência do futuro."
                                                                               Miguel de Cervantes

                                           Em um quadro de alucinação consciente, vi Cervantes e Shakespeare em desabalada carreira pelas nossas ruas eivadas de verde e amarelo. Eivadas de fumaça, bombas, gritos, manifestações de direito, de fato, e manifestações de incontida violência. No cenário conturbado, uma discussão sobre o peso semântico, gramatical e etimológico do verbo emular destacava-se acima do gás e dos protestos: para Cervantes, pai da frase em destaque, emular queria dizer imitar, seguir o exemplo de alguém. Era um verbo transitivo e exigia complemento para ter um sentido gramaticalmente completo. Shakespeare, tão sagaz quanto seu argumentador, observou que na frase eternizada por Miguel, êmula pertencia à classe dos substantivos e dos adjetivos, significando competidor, concorrente, adversário, rival. Ambos concordavam que a palavra derivara do latim aemulus. E tanto um quanto o outro decidiram conter-se diante da razão que lhes cabia. A origem da discussão se dera por ordem da consternação em que se encontravam os dois pensadores. Habitavam o limbo da história, aquele espaço permitido aos grandes sábios que transitam entre os tempos sem qualquer sequela quântica, física ou espiritual. Espaço reservado aos que se mantêm no tempo e fora dele no mesmo continuum. Difícil de imaginar, simples para entender: Cervantes e Shakespeare nos olhavam de cima. E de cima, o olhar se amplifica, ganha dimensões políticas de uma limpeza improvável aos débeis mortais.
                                   Se a história imita o tempo, com ele concorre e indicializa o porvir, caberia cá em baixo uma breve leitura do que se passa. Breve, muito breve, para não nos perdermos em arremedos de discursos construídos em círculos vazios de sentido e lucidez. Difícil! Cá em baixo estamos mergulhados no mesmo contexto de múltiplos poderes. Difícil, mas não impossível! Acredito ouvir a voz de Cervantes em Dom Quixote de La Mancha! Acredito!
                               Ah! Sancho! carecemos de vontade. Carecemos de lucidez, carecemos de entendimento, carecemos de carecer! Pois!
                              Como limpar uma leitura de nosso tempo emulado em uma história desprovida de verdade? Que verdade? Qual das verdades contadas, que parte das verdades escondidas e na voz de quem?
                                   Esse é o cenário ideológico que nos circunda e move. Movemos e somos movidos, com maior ou menor noção da passiva agentividade. Acreditamos ser sujeitos de nossa história. Talvez exatamente por esse pequeno detalhe metafísico (...) deixemos de fazer a simples leitura: o silêncio manifesta-se nas asas da impune arbitrariedade democrática.
                                   Sob os olhos alongados dos que estão acima da lei e da ordem, esgueiramo-nos pela história não contada no tempo presente. Presente, passado e futuro embolam-se desatinadamente enquanto deixamos que falem por nós. E continuarão falando. De um modo ou de outro: continuarão falando.
                                 Mais uma vez ouço Miguel:
                                 "Um dos efeitos do medo é perturbar os sentidos e fazer que as
                                     coisas não pareçam o que são."

                                     Miguel de Cervantes

sábado, 29 de junho de 2013

                                      PENSAMENTOS...


                                           PENSAMENTOS...


sexta-feira, 28 de junho de 2013

                       PENSAMENTOS...
 
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                                     PENSAMENTOS...



                                 PENSAMENTOS...


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quinta-feira, 27 de junho de 2013

                             PENSAMENTOS AERADOS


                 PENSAMENTOS AERADOS


                    PENSAMENTOS AERADOS


                             PENSAMENTOS AERADOS


                 PENSAMENTOS AERADOS



                   PENSAMENTOS AERADOS



            PENSAMENTOS AERADOS


                  PENSAMENTOS AERADOS


                             PENSAMENTOS AERADOS




                  PENSAMENTOS AERADOS




                                          PENSAMENTOS AERADOS




                                       PENSAMENTOS AERADOS


quarta-feira, 26 de junho de 2013

                                                     
                                               PENSANDO...


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terça-feira, 25 de junho de 2013

                PENSANDO...



                               PENSANDO...



                        PENSANDO...


                        PENSANDO...




                                 PENSANDO...



                           PENSANDO...



                                PENSANDO...


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PENSANDO





CONTO PREMIADO


segunda-feira, 24 de junho de 2013

                             PENSAMENTOS IM-PRÓPRIOS





PENSAMENTOS IM-PRÓPRIOS




                            PENSAMENTOS IM-PRÓPRIOS





                                             PENSANDO...



 

                                        PENSANDO...


                         
                                 PENSAMENTOS IM-PRÓPRIOS



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PENSAMENTOS IM-PRÓPRIOS







PENSAMENTOS  SOLTOS




sábado, 22 de junho de 2013

PANELA DE PRESSÃO EM ESFERA GLOBAL

PANELA DE PRESSÃO EM ESFERA GLOBAL
                                  - spray de pimenta serve bem em canudinhos -

                                         "Coragem é manter a classe sob pressão."
                                            John Kennedy
`                                  Cozinhar em fogo baixo é processo que exige investimento e paciência. Bem o sabem os chefs da alta gastronomia quando planejam e executam pratos cujos ingredientes exigem especial atenção. Da cozinha para a política não é um pulo, mas uma vírgula, especialmente em se tratando de estratégia comum aos sistemas de governo que não dizem claramente a que vêm. Dizem, mas temperam o dito com especiarias traduzíveis ao gosto da interpretação livre, que nega legitimidade à formação do discurso. Mesa posta no globo azul: quantos países hoje são qualificados por aceitáveis índices de qualidade de vida? Qual o contingente populacional que dribla crises sobre crises saltando em um pé só enquanto a pressão social sibila acima das cabeças angustiadas, por entre as necessidades básicas jamais atingidas, pelos vieses da insegurança corriqueira? Difícil enfocar esse tema surrado e desgastado sem cair no abismo dos lugares macerados pelas repetições infrutíferas. Sinto-me um papagaio do verbo gasto. Uma papagaia, para fazer jus ao lado feminino que ainda, ainda preservo enquanto ser pensante. Sim, pois enquanto ser social, sujeito de minha história, estou a cada dia mais próxima dos contextos da carochinha, uma vez que estes não tripudiam sobre a parca inteligência que alimenta meus sentidos factuais. Sinto dificuldade em dar vazão à razão lógica e estruturada nos caminhos das reflexões sóbrias. Sobriedade já é, por si só, um vocábulo em desuso, uma vez que o campo semântico que o abarca melindra-se com o uso sem sentido dado ao termo na lexicologia atua.
                                   Uma grande panela de pressão permanece em fogo baixo nos lugares em que menos atenção se dá às iguarias. Osso duro de roer é a maior pedida: cozinha, cozinha, cozinha até perder a consistência e a resistência também. Isso quando ele próprio não se esfacela no largo cozimento ou provoca a disfunção da tampa que veda os vapores internos. Panela é panela. Controlar a pressão é uma arte. Quem mexe com fogo, um dia acorda em cama molhada.
                                   A sociedade planetária, interligada pela velocidade das intermídias comunica-se em sinais de vapor condensado. O sujeito social contemporâneo é uma síntese precária dos incontáveis interesses que fazem deste pequeno grande universo terrestre um laboratório comportamental em fase de implosão. Talvez não! Laboratórios são caixas de surpresa, especialmente em se tratando dos que lidam com o contingente humano. Confesso que sou impelida a usar outros termos para descrever a reflexão iniciada, mas temo incorrer em uso inadequado de vocábulos que servem mais à agropecuária e não ficariam bem colocados em um texto que já misturou tantos contextos metafóricos. Mas arrisco: entre a cozinha e a política tem uma porteira separando o gado de corte e o gado destinado a dar continuidade ao rebanho: fertilidade planejada é um investimento garantido. É a ótica do crescimento controlado. Justo! Justíssimo! Justo para que lado da porteira?
                                   Não é só nosso país que ferve em fogo lento. A prática de cozimento contido é antiga e todo analista social já usou dessa argumentação para levantar suas análises nada alvissareiras acerca de intentos reprimidos no leque da constituição social. Não busco justificativa para dizer se pulei a porteira que separa a cozinha da política nem para anunciar se estou sentada sobre ela. São figuras desprovidas de poder nesse exato momento. Mas gostaria de entender se estamos conscientes do fogo constante sobre o qual assentaram-nos, ou aceitamos assentar, ou ajudamos a acender... minha confusão é fruto da complexidade redonda que nos envolve. Redonda e asfixiante realidade que perdura no tempo e no cozimento.
                                   Hoje, a panela de pressão se deslocou e ameaça abrir a tampa gasta. Haverá um teto baixo para contê-la? Não sei. Os contingentes de seguridade e ordem não fazem muito sentido no placar dos últimos acontecimentos na terra dos igarapés.

                                   Pagaremos para ver: dentro ou fora do espetáculo, somos ingredientes no bojo da mesma panela.  



                       PENSANDO ALTO









                       PENSANDO ALTO
            PARA TODOS OS PROFESSORES










                       PENSANDO ALTO










                       PENSANDO ALTO













                       PENSANDO ALTO