domingo, 28 de junho de 2015

ALMOS...

ALMOFOBIA

-  na era dos encostos, travesseiros e almofadas trocam estampas e mantêm o estofo -

"George nasceu almofada..." (Luiz Othavio Gimenez)

                                     Dos medos que mais estofam -  esburacam - a epistemologia racional no continuum maciço  do tempo pós-moderno, o medo axiomático do ser ser no mundo aberto tempera vazões de grosso ostracismo. O medo de estar e não ser, ser e estar deixam Shakespeare no chinelo... não! Deixam-no sobre o sofá, sem direito a almofadas e travesseiros para amortizar o exílio das decisões alheias acerca de um inglório movimento individual e interno: óh! sapos do brejo! Com que beijos me beijam para não cair em real tentação? Servem-se óstracos - antigo caco de cerâmica que remonta ao século V a.C. , e deve orgulhar Clístenes, pai da democracia,  nos sombrios umbrais da mítica Atenas - aos eleitores do voto para o exílio nas esquinas sem palafitas. Olhai, homens de pouca língua: a palavra queima nas mãos e nos quadrantes protegidos pelos raios do sol. Haverá momento para a igualdade de almofadas e travesseiros nesta cama de cimento? Sem descanso, as línguas taramelam em pedaços de falsos verbetes, colchetes que a semântica abre e não fecha - por políticas de pura delicadeza científica, claro! - e banem o homem que atina sem máscaras diante dos oráculos pré-pagos.
                                     Almofobia, segundo Luiz Othavio, dono de uma inteligência veloz e premiado pela beleza da juventude lúcida e consistente: "...os almofóbicos odeiam almofadas!" E, diz mais o nosso belo jovem: " Almofadas e travesseiros foram feitos juntos, na primeira vez, lá onde tudo deve ter começado...mas, George não foi feito para usar fronhas!". Não! Não foi! É o princípio da diversidade produtiva. Não se pode exigir das fronhas o estofo que vem recheando os travesseiros e versa o vice,  vice o versa, versam os dois e nenhum deles, tudo na mesma estrofe, a ladainha é a mesma, só troca o verso na ordem desordenada da poesia que não  é vista e  existente, resistente: opulente almo!
                                     Luiz Othavio é um alento para os idealistas de um mundo atravessado pelas políticas de pouco caso - ou muito tento - e para o cansaço diante das autarquias de araque, herança rançosa do absolutismo obscuro e insosso, teimosa mistura de nossos dias enxovalhados por conceitos de meia pataca. Miro-me na valentia loquaz do jovem que vi crescer e aprendi a amar como se meu filho fosse - e se fosse, nem mais orgulho caberia neste coração de mãe devota. Ele tem um vlog, custeado pela criativa capacidade de dizer com humore sério - o humor é inevitavelmente sério, mas apenas para buscar uma bengala em Bergson e sua teoria da automação, lembro que dizer é um ato político de legitimidade irretocável. Vale ouvir e ver o que este homem inteiro produz com a irreverência brilhante que só aos sábios faz mestria. E aprender com ele, aprender sobre almofadas e travesseiros e fronhas amassadas aos pés dos dias cinzentos que esta sociedade tanto tem se esforçado para construir.
                                 Nasce um astro na órbita das opiniões centradas.
                                 Que os óstracos , cacos da história, sirvam hoje para revestir caminhos singulares, mais leves, menos ásperos, nada  intolerantes ou ... in-trans -i- GENTES! GENTES são misturas  que podem dar certo, dentro ou fora de contextos pré-estabelecidos: /in/ preposição que indica em seu, em sua.../trans/ prefixo que dá ideia de  através de.../i/ nona letra de nosso alfabeto, alofone desdobrado em vogal média quando interessa ao ambiente linguístico ( sempre interessa!) e, /gente/ substantivo feminino: POVO! A quem desejar possa, IN-TRANS-I-GENTES não  povoam uma nação, destroem-na.

                                Este texto é uma mesura de RESPEITO a um homem DE VERDADE: Luiz Othavio Gimenez!  

Ivane Laurete Perotti

domingo, 21 de junho de 2015

FILHO DO MEIO


ROCHEDOS


ILLUSION...


PEDIDO INUSITADO


ACIMA DAS DORES...


PARA UM AMIGO...


MAIS QUE AMIGO... PELA DECISÃO DE ESTAR FELIZ!!!


PARA UM ANJO CHAMADO RUAN...


LOUCA FRASE


IMORTALIDADE


É PRECISO CARÁTER E CORAGEM PARA SE IMPORTAR

- não se pode fabricar novas lembranças, mas pode-se construir novas decisões -

 "O desamparo não é uma ocorrência natural; natural é o senso de pertencimento que a raça humana teima em negar e se esforça vigorosamente para remover da memória genética." Ivane Perotti



                                          Com o vento da noite sem grades, veio o brilho da febre. Nas mãos nuas, os restos de mais um dia faziam troça das marcas acumuladas em camadas de fétida sujidade. O que restava do homem não estava à mostra, se é que mostrar fosse uma possibilidade no quadro do desamparo instituído. A nudez da alma não aplica ao corpo revestido o frio da indiferença; esta, a indiferença,  é uma decisão da razão despida de caráter e coragem: um aborto emocional provocado a ferro no útero movediço da sociedade moderna - passaporte para a construção dos conceitos de segregação.
                                    Não se depreendia dos olhos febris a idade daquele corpo, mas era um homem que a vida gastara por dentro e por fora. Apenas mais um entre tantos na larga avenida atravancada. Era a Queda da Casa de Usher  ( Edgar Allan Poe, 1839) que estava ali, bem à frente, aos lados, acima e abaixo de quem decidisse ver e tivesse coragem para assumir a frustração depressiva que exalava poderosamente os seus odores nauseabundos: o cheiro do abandono é podre, mórbido, pegajoso e toma de assalto as cavidades da consciência prática. Febre ou crise de abstinência? Fome ou falta de ambição? Pobreza ou sorte de quem nada tem e não precisa de nada? A poesia seria violentada a construir garras, apropriar-se de verdades, profanar os sonhos, bajular os anjos, barganhar a arte  para tornar leve e livre o sentido de uma emoção sem sentido: a dor do outro! Cadê o outro? Estava ali, onde estavam todos, no mesmo porto sem cais, sem margem de acesso, sem farol de anúncio às tempestades recorrentes que varrem todos os dias, ininterruptamente, a correnteza da vida. O outro estava ali, sujo, molhado pela incontinência da urina escura e pelas lágrimas  invisíveis de alguma lembrança reticente. Estava e não estava. O "outro"  se tornou paisagem e não oferece à vista condicionada do homem oficialmente vivo e bem casado com os compromissos de suas crenças, valores e pressões  as fartas  e lautas ofertas de deslumbramento e  introspecção. Sim, pois hoje, mais do que nunca, vende-se e vende-se bem a natural ideia de buscar junto às paisagens a natureza da reconexão, introspecção - o religare do antigo latim, morto e enterrado em terras ágrafas - com o mundo: viagens ao redor do mundo escondem os mundos que nos rodeiam, fundamentam, e constituem. Fazer o quê? É o preço do amortecimento diário, das anestesias, da apologia ao foco, às metas e aos objetivos traçados, fixados e tombados em visões futuras: serei feliz amanhã, terei o melhor carro amanhã, amanhã eu amo, transo, confesso e me presenteio, amanhã eu existo.... Pode haver maior pobreza? Pode! Elas se reinventam cotidianamente com o aval  sapiente do homem lambuzado em poder e corrupção. O termo "lambuzado", por suas conexões com os fetiches de outras fomes não cabe aqui, até por respeito aos olhos febris do homem à calçada. Troco o termo - e não a ideia - por outros termos, mais robustos e verossímeis à lembrança da noite sem grades. Lá vai a troca: no lugar de "lambuzados", leia-se literalmente - se possível for -  ... afogado, atarrachado, emporcalhado, embargado, refestelado, aturdido e... confesso publicamente o desejo ardente de fazer um trocadilho que o texto não permite, mas tem a ver com a palavra mais proferida na atualidade. Uma pista morfofonêmica ( para amenizar o meu desejo e inferir sobre a ação da leitura): tem três sílabas, começa com /f/ e termina com /o/, é paroxítona não acentuada, muito usada por norte-americanos em filmes de pouca metragem - qualidade duvidosa -  pavorosamente repetida nas redes sociais, e, vai lá: sintaticamente infere uma ordem impraticável, ou não?,  em detrimento da pronominalização escolhida a dedo - ou por outras razões da inconsciência linguística que nos abençoa, amém! Geralmente aparece no modo verbal imperativo que, gramaticalmente faz dançar o pronome reflexivo /se/, ingerindo as possibilidades democráticas inegavelmente abertas na estrutura que as línguas naturais propõem.
                            Ideias de pertencimento? Em que latim se perdeu?
                            O homem à calçada morreu. Deixou o corpo para trás e carregou a alma para algum lugar desconhecido. Morreu sem avisar, não soube esperar pelo tempo certo de sair do modo paisagem e inserir-se na sociedade que o segregou. Não soube!
                        Mas, até as paisagens merecem um olhar presente; pois, se abandonadas, fenecem diante de lembranças que jamais poderão ser colocadas nos lugares de merecimento.
                            Se em algum lugar deste planeta ou fora dele alguém ou alguma coisa conhece a cura ou a educação para a indiferença e falta de caráter: S.O.S.! A covardia tem nos impedido de voltar à essência da humana condição humana  e precisamos de apoio intensivo.
                            Câmbio interrompido para o homem que deixou o corpo na calçada. Usher não era apenas um homem, era, talvez, uma leitura do outro dentro do outro pelo poeta corajoso. Talvez!

 " Dá ao homem aquilo que é do homem e entrega a ele como você gostaria de receber. Utopia? Não, poética da sabedoria." Ivane Perotti

Ivane Laurete Perotti
                           

                          

domingo, 14 de junho de 2015

VIUVEZ POLÍTICA

QUANDO AS VOZES DIZEM AMÉM AJOELHAM-SE AS FLORES

- sob o sol da esperança, o verde desce em flâmulas túrgidas à terra dos mananciais -

" Dilata-se o verbo no preâmbulo da carestia consagrada: até quando o homem pedirá por clemência diante do berço vazio?" Ivane Perotti

                                         Vozes ímpares deixam pegadas no tempo das vontades. Algumas voam, outras claudicam. Todas vibram: entre paredes, enfileiradas, fora dos trilhos, em círculos repetitivos ou estagnadas no mesmo e irrefutável lugar de enunciação. Vibrar é uma equação plural que atende à natureza sonora das vozes humanas, infestadas de raciocínios inglórios e frequências díspares. Assim caminha a humanidade até nascerem  flores na palma das mãos que cantam esperança. E cantam. E fecundam outras mãos com a semente de alegre euforia, pois a tristeza ronda os talos desprovidos de visão e engole a alteridade imberbe dos sujeitos sem peito, sem direção.
                                         No tempo da poética crua, agora, vozes perdem sua robustez no silêncio caricato da sociedade amordaçada. Existem mordaças para todos os gostos, valores e interesses: mordaças coloridas, recicladas, recém-saídas das linhas de produção, mordaças burlesques, bem ao estilo dos antigos cabarés, mordaças de cunho ativo, pró-ativo, maniqueístas, fascistas, masoquistas, e por aí vão. Vão tantas e quantas o gênero consumidor impregna a oferta  e a busca por imersão condicionada.
                                       Vozes levantam bandeiras. Praças levantam as mãos. Ambas flamulam, tremulam, indicam a imperiosidade dos pavilhões que alimentam a insurgência de novos estandartes. Destarte as massivas vozes, algumas delas, franzinas vozes, calam em plena ação. E quando calam, o silêncio se propaga em velocidade proibida, contrária à manifestação. É o silêncio da opressa obediência, educado silêncio em tempos de contenção: "... guarda-se o verbo, pois o sentido cria atrito e em pleno agito, a democracia, outro mito,  chama-se invasão."
                                       Berços vazios arrastam homens cansados, desprovidos de palmas,  homens perdidos e acuados, descalços, alijados das vozes que vibraram sobre a terra uma vez fecunda, terra falida  em gerações: terra de guapos, deixou farrapos para minguar os seus. Marcas de muitos berços, braços e embaraços em histórias que desfizeram o fio. Medalhas de honra, vestes de pompa cobrem o seco rio: quem desviou a curva,  mais de uma,  a curva que serviu de mirante, natural  semblante,  ao  pescador?  Dobraram a terra virgem, colheram o verde pincel, venderam a Terra, aquarela,  não vale o aluguel. Terra de mãos em pétalas chora sem molhar o chão. Vai-se embora a esperança, some o peão, engolem a terra do homem, calam a voz do sertão. Frêmitos de um grito, olhos sem brilho, vozes silenciadas no eixo da entonação.
                                      A sorte não cai do céu, nem explode da terra:  é o resumo do encontro livre entre os dois. Céu e terra vergam-se sobre as flores e as mãos, assombram praças sem desgraças, abençoam incursões. Pois há vozes andantes, sempre adiante, procurando abrigo para depositar serviços, plantar indícios , abrir portões. Cancelas fazem coro diante dos serões, dançam a planta túrgida escondida no seio do torrão, e passam a cantilena, choro das palma pequena  nos arreios da verdade, pura malandragem de quem aprendeu a esconder a vez: altivez? Nunca se sabe quando a floresta levanta a madrugada para acordar o homem atento. Sabe-se que, o homem atento, rega  flores para colher vontades, orgulho de muitas verdades, histórias a serem contadas em rodas de várias mãos.
                                     De joelhos, as flores aguardam: para sempre e sempre, amém!


 " Vozes e vezes marcam o rosto do homem maduro. A agonia  agarra-se às mãos,  palmas da face calejada, e sulca a alma cansada, quando o verbo, sempre ele, perde a flexão sonora, natureza implícita de outra  viuvez: a  política!" Ivane Perotti


Ivane Laurete Perotti

sábado, 6 de junho de 2015

MÁ...MÁ... MÁ....

NÃO  É A ARCA DE NOÉ - E NEM O NOÉ É

 - contraditando o incontraditável  -

 " Tenho o direito de preservar macho e fêmea."
    Malafaia

                                         Eu alimento o desejo insano e herege - não sou herege, é só o desejo que alimento - de construir uma arca para servir de base de afogamento. Não, a ideia não é afogar homens, mas sim, afogar discursos. Já que vivemos em uma democracia - para quem ainda acredita que o sistema de governo brasileiro não é uma fraude desfraldada em históricas bandeiras - eu posso ter desejos na contramão do justo e do posto.Posto!
                                         Por que algumas pessoas abrem a boca? Bom é bocejar, comer, beijar, beber, mostrar a língua para o dentista, cantar, assobiar, imitar passarinhos,  beijar de novo,  inovar o beijo e até falar... sim! falar é uma faculdade deveras importante, inerente, natural,  constitutiva, saudável, interativa, artística, estética e humanamente previsível: você não consegue esconder o que lhe vai n'alma. Abriu a boca para soltar as palavras, abre as comportas do que se esforça para esconder. Ou não! Claro! Alguns vivem de fazer acreditar que rasgam o verbo em pedacinhos não coláveis exatamente para mostrar ao outro que nada tem a esconder. E você acredita? Eu não! Não acredito, pois vivo de esconder a minha alma para que ela não saia rasgando as palavras que me condenam aos olhos dos outros. Pois isso de condenar, é uma grande sacanagem, um ato masoquista maquiado em pudor social, tendência  para as práticas parafílicas ( pena não poder escrever o significado descritivo desta última  palavrinha, mas afirmo e declaro o desejo de fazê-lo) dos outros sobre os outros. Mais simples seria ter clareza mental e condenar a si mesmo, aí, aos olhos dos outros, outros interesses ressaltariam o movimento voluntário de "olhar para...". Ah! Dá para olhar pro outro lado enquanto tasco um beijo por aqui?
                                      Voltando ao afogamento de alguns discursos que cansam os verbos e atrasam o caminho das frases, eu ainda amarraria pedregulhos nas pontas do que se chamaria início e fim de uma fala que profanasse a vida, o amor, a liberdade só para garantir o afundamento de um continuum sonoro inflexível, inflexionável e...intratável!   Garantiria, da mesma forma, a depuração dos sentidos que mancham  as ideias de humana razoabilidade acrescentando sal grosso à água da arca - sim, pois devo ter deixado claro no início que a arca estaria vedada e cheia, bem cheia, em quadro contrário  aos fatos bíblicos e às intenções do bom Noé. E por falar em Noé, Noé é o meu vizinho gaúcho, a quem amo muito desde sempre  e nunca abriu a boca para dizer o que não fosse importante. E olha que ele sabe falar como ninguém! Ele, meu vizinho Noé, lembra-me Eduardo Galeano, outro amor de minha vida - amor  platônico e interesseiramente intelectual , já vou explicando para dar conta de preservar-me, se tal for possível,  da condenação exterior e da minha própria, apesar de toda a dúvida que desejo permaneça formigando aos interessados - que diz: " Quando as palavras não são tão dignas quanto o silêncio, é melhor calar e esperar."  Contraditando, um homem capaz de dizer tamanha beleza em sequências de indelével verdade deveria saber beijar... será? Agora fiquei curiosa! Vai um beijo aí?
                             Mas, ainda não afoguei os discursos afogáveis e, continuo na linha de exorcizar as bocas que considero portas do inferno. Sim, sim, sim... o contexto é para machos e fêmeas, ou fêmeas e machos em direito de preservação. E o exorcismo, vale para quem? Insustentável a caricatura dos seres  prensados em ideias de democrática opção: comportamento, genética e religião têm paradigmas que até se encontram, mas isso em razão de muito esforço de interpretação e metodologia antropológica. Será que não daria para inundar uma banheira de amor e afogar alguns desses seres em um pouco de entendimento? Contraditório: amor não afoga, não pesa, não tem cheiro e nem solta as tiras. Pelo menos, até onde eu consigo pensar e sentir.  Denuncio-me que sinto? Sinto, sinto muito por não ter mais paciência para tanta bobagem, incluindo as minhas.

"A Igreja diz: o corpo é uma culpa. A Ciência diz: o corpo é uma máquina. A publicidade diz: o corpo é um negócio. E o corpo diz: eu sou uma festa." Eduardo Galeano

 Ivane Laurete Perotti

IGNORÂNCIA LETAL

VERSOS ESTROPIADOS PELO CANSAÇO DIANTE DA IGNORÂNCIA LETAL


MOÇÃO

CONTRA O CONCEITO DO PRÉ-CONCEITO


ESPAÇO


FEBRE


TOLAS VERDADES DESNECESSÁRIAS


UM LIVRO... SÓ!


sexta-feira, 5 de junho de 2015

ESCADAS


VERBO CERRADO


PENSO


NOITE


PAPEL DE FILÓ


LINHAS


JANELA


BOM TOM


LOBO


CORRENTEZA


TIRO NO PÉ


PURGATÓRIO


GARRAS


FOME


AMOR MADURO


SORRISO...


quinta-feira, 4 de junho de 2015

SE...


ABRAÇO


LOMBRIGAS


DUAL


OLHOS DE LEITE


NO VARAL


GANGORRA


ALHURES


FONTE


CÍMBALOS


ENTALHE


LUCIDEZ


CALOR


PREFIRO


SE


segunda-feira, 1 de junho de 2015

TEXTO MOTIVADO POR UM AMIGO VIRTUAL EM LEITURA CRITICA

 ATLAS DA AMERICANIZAÇÃO SELVAGEM

- na solidão do canis latrans, o instinto chama para agrupar-se a favor do vento -
                               
  " Há figuras difusas rodeando o panteão dos mitos sul-americanos e, dada a familiaridade com a 'carocha' da modernidade perniciosa, não se vê mais crianças assustadas com pueril a mula sem cabeça. Vê-se, sim, adultos, bem crescidos e acuados, tremendo diante das alegorias que transpassaram o poder figurativo da linguagem - esse rio de possibilidades associativas Existem monstros? Sim, existem, e a maior parte deles aprendeu a voar." Ivane Perotti


                                      Na virtualidade das amizades que a web propõem, trocar ideias está próximo ao trivial ato da troca de roupas. Não com a mesma necessidade ou intenção, claro; pode-se aventar que trocar ideias é muito mais salutar e prazeroso do que o dissonante e regular desnudamento ou troca de vestuário, incluindo aí os ponderáveis exercícios de sujeitamento social, formação discursiva, desvelamento cidadão, formação de opinião, economia, ecologia, naturismo, estética  entre outros paradoxos produtivos.  Contudo, discutir saúde e hábitos externos à pelagem que nos recobre - penugem? - é um gancho em gládio, bem longe das bigas, dos tritões e falastrões que talvez aplaudissem o tema:  " roupas, para que vos quero, quando o mundo assoma pelado às voltas de expor o que ia - vai?, continua? - por baixo dos panos?."
                                      Ah! Jogar palavras à mesa - com ou sem toalhas - é outro exercício que a internet facilita. E não impede que uma palavra Nahuati aporte aqui cheia de pelos e asas. Explico: pelos, sim, asas, talvez. As últimas fazem parte do coroamento figurativo que a verve compartilhada me impõe. Penso nos canis latrans, coiotes americanos, típicos da América do Norte e América Central em sua vivência quase que imperiosamente solitária. Quase que... Mamíferos inteligentes! A imagem da solitude impregna-os de digno comedimento - ou não!, solidão com consciência é ganho de causa ( causas) na fauna terrestre, independente dos pelos e das patas - números, hoje, fazem parte de equações sem grau - e que me desmintam os professores de Direito Civil. Mas, há divergências, sempre há divergências! E devo a elas, às divergências, a metáfora das asas: coiotes com asas aportam em qualquer lugar. Até na consciência dos que formam matilhas para facilitar o controle do habitat  - não natural - e do extrativismo criminoso sobre recursos alheios. O canis latrans, apesar do nome e suas alusões semânticas, é um carnívoro que facilmente se adapta a lugares e situações e até inclui em sua dieta frutas, insetos, peixes... ou seja, ele se vira! Infelizmente, a prova desse dado é científica: acostumado a caçar para sobreviver, o coiote, em contato mais próximo com o homem, nutre-se normalmente de ratos encontrados nos lixos. Está aí a sua prestação de serviço de cunho social , enquanto a formação de matilhas faz parte de suas tendências oportunistas e, cá entre nós, aí vão asas e coroinhas - diminutivo de coroas - não!, nada a ver com a idade ou com os serviços prestados aos padres -, auréolas mesmo, pequenas guirlandas que poderiam torná-los simpáticos às causas matilhescas. Contudo, indivíduos solitários não têm território, nem QG, nem base aliada, nem... ah! essas coisas todas que fazem parte da lei da urbana selva politicamente humana.
                       Bom, este era só um pretexto, mais um, para trocar ideias! para deixar a pelagem, penugem, descobrir-se diante do pensar e brincar com a linguagem: figuras figuram a realidade premeditadamente humana.
                        Entre os canis latrans, há um canis latrans cagottis... e, qualquer alusão sonora, morfológica e/ou semântica é culpa do lobo, coiote ou coisa que se valha, já que ao homem basta-lhe a própria matilha esfomeada - pelo alheio do alheio!

                         Ao meu amigo virtual, pelas ideias trocadas e pela motivação de pesquisar. A sua vez agora!
Ivane Laurete Perotti