quinta-feira, 24 de abril de 2014

AMBAS...

   Foto assinada pela Laura ( 09 anos), Lucas (11 anos), e Ísis (11 anos): 



INDIZÍVEL

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PORTAS...

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DESEJOS

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OLHOS DE SOL

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COR...

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RAIOS...

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AUSÊNCIA

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quarta-feira, 23 de abril de 2014

CHUVA


FOGO


JORGE DA CAPADÓCIA



ASAS



SEM VÉU


DESAMOR EM DÓ MAIOR...

FRÊMITOS IMPRODUTIVOS

                    Caíam ao som das esteiras pesadas. Atrás do vidro da janela, covardemente eu chorava. O som abafado dos galhos embalados pelas folhas copiosas sacudia o chão de terra seca. Terra nua, despelada pelas máquinas que desciam ganchos dentados e arrastavam as árvores abatidas.
                    Era o início de uma tarde chorosa. Da janela, eu acompanhava o séquito fúnebre em movimentos espasmódicos. As árvores eram os meus sentimentos que tangiam o subjetivo mundo da razão sem poesia.  Acreditava ver e sentir a agonia dos caules vivos sendo arrancados sem aviso nem permissão. Chorei por mim. Chorei por elas.  E se em lágrimas também escorressem as suas dores? Se algo ou alguma coisa qualquer ocupasse o lugar de uma alma, de um mundo interior perpassando por entre os galhos que estalavam e as folhas que caíam? Caíam as grandes árvores, dobravam-se meus joelhos e as lágrimas de impotente covardia. Poderia gritar no lugar delas. Poderia correr todos os degraus que nos afastavam, poderia dizer que era irracional derrubarem aquelas árvores tão altas e vivas. O vidro da janela colara-me ali, olhos abertos para ver a derrubada sonoramente movimentada. Poderia gritar o famigerado PARE, fazer gestos de IMPEDIMENTO, mas as esteiras operavam ordens anteriores aos sentimentos que brotavam em mim. Eu levo todos os dias de minha vida para colocar raízes em mim mesma. Ver as raízes que elas plantaram ali aparecendo ao ar livre tocou meus fardos em sementeira emocional. Mas que planeta é este?
                   Não desejava respostas, pedia sem dizer que as máquinas parassem e por um momento, vislumbrassem o tempo que arrastavam sem dó.  Queria que explodisse o milagre da justificação a favor das árvores inocentes, de seu esforço em crescer em terreno tão árido, da vontade de olhar para o alto e das copas que serviam sombra a tantos. Ao longe, vi as crianças que se aglomeravam observando o estrondoso feito. Uma forma de morte se avultada ali. Os galhos que serviram às brincadeiras dos moleques da vila esmagavam-se sob o peso da esteira ágil e pronta. Crianças silenciosas postavam-se em cortejo imóvel. Arrancavam a esperança das tardes frescas e faziam parecer natural, muito natural e correto derrubar aqueles ícones do planeta verde. Verde, verde, verde era a lágrima que marcava a trilha por onde passavam as árvores tombadas. Verde era a marca da impiedosa montanha que se formava no lugar que um dia já fora habitado pela sensibilidade humana: ali, choravam árvores. Não muito longe, choravam pais, mães, amigos, madrinhas, avós, parentes de alguém que a esteira da violência arrastara também. Tombavam árvores, caíam homens, crianças, sem dó, sem chance de proteção.
                 O vidro da janela manchava-se com as lágrimas improdutivas que a minha impotência derramava. Um vidro, uma cela, um muro, uma lei, um descaso, uma fronteira erguida pelo orgulho, pela avareza e pelo desrespeito à vida.  Eu não desejava respostas, ardia por desacomodar a dor que subia em bolsões de lágrimas repetidas.
                 Que planeta é esse que abriga seres tão desnutridos de amor?
                Quero a alcunha de piegas, de sensível, de sem noção, e todas as outras que advém da ausência da frieza. Inquieta-me o caminho que estamos traçando.  Desconforta-me chorar lágrimas que não semeiam mudança. A indiferença apaga as marcas da humanidade e é mais veloz do que os movimentos em favor da vida. Na esteira dos casos, não é o acaso que traça os destinos cruzados: este é um planeta em frêmito profundo, independente para onde se lance o olhar. A rede entretecida que formamos não tem mais costura... tem?
                  A última árvore vai ao chão e eu me lembro do menino gaúcho que buscou proteção no lugar de direito e encontrou a vidraça da burocracia. Imagino o seu caminho de volta a casa onde deveria ser cuidado, amado, protegido, e o percurso que fez até a cova na qual foi encontrado. Ele pediu socorro. Ele buscou ajuda. Ele acreditou no sistema que alimentamos. E se... e se fôssemos menos racionais e mais sensíveis? E se ouvíssemos o clamor de todas as raças, de todas as espécies, de toda a vida, na forma que ela assume?
                 A terra despelada mostra toda a aridez que as árvores docemente escondiam.
                Não creio que possamos buscar respostas fora do próprio entorno: a natureza treme diante de nossa total e obtusa indiferença.
               Levaram as árvores. E eu só fiz chorar...

                   

sábado, 19 de abril de 2014

RESSURRETOS SEM PASCHO...

RESSURRETOS: SEM PÁSCOA, SEM "PASCHO", SEM ”PESSANKAS”?
  - pelas dobras das escadas tortas, as almas procuram seus pares -

"O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons."
 Martin Luther King

                                     Vai-se outro dia no cardápio dos sentimentos não servidos na vasta mesa da distinção. Pratos trincados negam-se ao suporte da fome transformada em moeda de troca: o poder é potente boca escancarada a soprar vozes repetidas para dentro dos estômagos vazios, dos doentes desatendidos, das escolas puídas, da educação desnutrida, das desigualdades sociais.
                                    Sem pão, sem leito, sem letras, vem de longe o velho circo de lona abrigar os palhaços rotos e tristes. Palhaços esfrangalhados, rompidos, amolambados: artistas das dores sem cores que lhes pintam a alma e o rosto, homens sem postos, sujeitos do que for... que for... inevitável destino do ator.
                                    Desaparecem os chistes no picadeiro sombrio.
                                    O povo paga caro pelo espetáculo imposto: a comédia não brilhará tão cedo sobre o trágico destino das entradas perdidas: desviadas, desvirtuadas, rapinadas, abafadas, furtadas.
                                   Sem licença, a multidão desprovida engole pesada saliva: a lição da abundância arrasta-se através das portas tortas da vontade política mantida no vácuo. Não! Não existe vácuo político; antes, existem campos minados sobre as falsas diretrizes dos grandes menestréis da injustiça. A política é ciência que ocupa todos os espaços necessários à sobrevivência da civilidade. Civilidade? Súplica vontade de nominar os bois deixa o palhaço com a boca cheia de nomes compridos, velhos conhecidos da história cariada. História eloquente: deixou sem dentes os que ousaram contar entre anedotas, as muitas rotas que a justiça tratou de cegar. Pobre palhaço perdido! Fizeram-no acreditar no poder do riso, do texto omisso, da paixão por cantar. Pessankas sem tinta parecem voar nas mãos da audiência: santa paciência sem consciência desaloja o pensar no cesto vazio da Páscoa vendida. Sem PASCHO!
                                    Silêncio na plateia desavisada.
                                    Bons olhos espreitam o ataúde da sorte e rogam diante da morte a esperança impedida. Vozes sobem à testa, mas não descem à prancha: gargantas cortadas assombram a vontade incerta.  O palhaço triste sorri em riste, quase um chiste: não tem energia para estender-se a tantos. São tantos, em prantos, são tantos que de longe lhe pedem: alegre a lona, não deixe a poltrona sem enrolar o tapete do dia.  Vira!, palhaço, a piada está torta, fizeram chacota da nossa alegria.
                                    O sabor do vento espreme-se por entre os rasgos da lona e afasta o cheiro das alternativas.  Aos desgarrados, esquecidos desvalidos nos bancos sujos da arena molhada sobeja o palhaço, ressurreto peão das amargas lições inauditas.
                                  Benditas pessankas! Que aninhem no espaço oblongo o ciclo do CRISTO, e ditem aos brados a novidade despregada da cruz:

                                  “ Vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância
                                    ( João 10, 10)
                                  
                                  Desce a lona no picadeiro vazio.
                                  Quem viu acreditou. Quem acreditou aplaudiu.
                                  Pelo rosto do palhaço, uma lágrima de entendimento arrancara gargalhadas do povo cioso, zeloso por cobrir de amor o ninho que carregavam nas mãos.

                                  

sexta-feira, 11 de abril de 2014

LOUCURA SEM COLA

A LOUCURA É UM ADESIVO SEM COLA
                            - disjunção do homem e da viola -
                        
“A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana. Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal. Não ter consciência dela, e ela ser grande, é ser louco. Ter consciência dela, e ela ser pequena, é ser desiludido. Ter consciência dela, e ela ser grande, é ser gênio.
                                                                              FERNANDO PESSOA  

                  Eu disjunjo, tu disjunges, ele disjunge, nós disjungimos. Eu tenho disjungido, tu tens disjungido, ele tem disjungido, nós temos... sacaneado a legítima loucura. Cordões de amplo espectro separam-nos do jugo aceito ou a ele nos amarram mantendo a trajetória em passiva ordem. Desordem: marionetes do invisível e improvável fluxo manifestam as arestas da normalidade rompida. Homens caminham sobre trilhos manchados e sem sombra. Trilhos e homens estendem-se abaixo da linha do horizonte. E é do horizonte que fluem as lágrimas inconsistentes a lamber os pés esfolados no compasso da canga: preito de obediência. No entorno dos caminhantes apressados fenecem ideias opacas, desmaterializadas nas labaredas do fogo ausente; carecem todos de arbítrio e energia para fundi-las ao desejo e à vontade prática. Loucura necessária! Observa-se o poder da cola: em círculos vagam os pés vazios.
                    Vai para além do óbvio a lógica de romper o lacre. Desbrilhado pelos atalhos que a sanidade cotidiana rabisca no rascunho fixo da vida, o nada, turvo e pobre, deita-se em rede furada. Não é peixe! Não é peixe! O cardume fugiu! Deleitam-se os tubarões: comensais de prontidão conhecem a normalidade das praias, antecipam as refeições, instalam-se. Ai! Ai! Ai! Pescadores da justiça, contritos portadores de leve loucura, adiantem-se às exigências legais debitadas nos votos da gola fausta. As malhas finas tecem outras redes, impermeáveis e exclusivas. É assombrosa a pasmaceira que aguarda o milagre da justificação. Valha-me a loucura consciente antes que seja tarde aportar ao lume da redenção. Homens caminham, peixes entregam-se em profunda comunhão.
                    Na turbulentamente democrática sociedade moderna, separa-se o joio do trigo na barcaça de CARONTE desautorizando HADES a festejar o conluio: dá-se a cada um o que é seu e o que seria de todos... o tubarão comeu!  Inverdades sobrevivem longe da praia! Insana esperança a de que o doce rio AQUERONTE leve para o devido lugar o curso da morte lenta. Sem moedas a cobrir os olhos, os homens lavam os pés na mitológica imprecisão da loucura certa. Verdade? Descobri-la é um peso sem preço na passagem dos trilhos manchados. Carrega-se a viola, esmola, ao repartir o lugar das vozes sem melodia.
                      Violam a viola destra como se ninguém mais precisasse pensar. Só andar, sem parar. Pés andantes, sem parentes, moram na linha do trem. Não há fumaça na locomotiva massiva: o trem não vem. Avisem alguém!
                      Tiram da emoção dos homens o homem cru; instalam o homem nu, fruto da inauguração vitoriosa. Estátua de bronze não chora. Só a viola, esta estranha metáfora das ondas ocas pelas quais o som da vida mareia o sal da terra.

                       Foi no fogo da indignação que a cola perdeu o prumo e a loucura fez poesia para derramar-se em dor pelas beiras dos que se fazem despidos. Despidos, mas não esquecidos. Esquecidos...

quinta-feira, 3 de abril de 2014

OUTRAS LEITURAS

 Fotos assinadas pela Laura ( 09 anos), Lucas (11 anos), e Ísis (11    anos): 



SEGREDO DO SUCESSO

HÁ DE SE ESTABELECER PRIORIDADES SEMPRE: SEGREDO DO SUCESSO
                               “... diz isso para quem está se afogando!”
                                          (autor: um quase afogado...)

                            Envoltos pelo odor amadeirado de uma garrafa de Malbec cuidadosamente aberta e bem servida, sobre irretocável guarnição de mesa, alguém recita o título desta coluna como se encarnasse o Espírito da Verdade: prioridades! Farpas de luminosa diversidade atravessam o tambor de mármore; olhares oblongos, oblíquos, enviesados estreitam o caminho entre os pensamentos achados e os perdidos pensamentos que se entrecruzam na távola das metodologias e funcionalidades.  Prioridades são caminhos fosforescentes acenados como indicativos da trilha do sucesso ou da simples palpabilidade. De fato! Talvez!  Parece lógico e prático priorizar metas e dar conta de executá-las: estabelecer focus. Parte do discurso recorrentemente difundido entre aqueles que assinam o próprio sucesso e planejam o sucesso alheio desbancando as estatísticas encurvadas das proposições reais e contundentes esfregadas nos narizes menos sensíveis e críveis: réquiem aos sem sucesso!
                         Com um grande gole do vinho argentino descendo pela minha garganta, pensei em peculiares e ímpares cenas de afogamento (valem aqui todas as metáforas fora do campo líquido das águas das chuvas, das águas represadas, das águas de qualquer sítio geográfico) diante de um manual também liquefeito: estabeleça as prioridades. Certo: eu, particularmente, tentaria respirar, e respirar de novo e outra vez respirar. Mas, para vingar sucesso na empreitada, teria de estar com pelo menos a boca ou o nariz para fora da massa líquida. Então, outra prioridade seria manter as fossas nasais secas e as mucosas bucais bem fechadas. Ainda, no manual das prioridades haveria uma linha em vermelho indicando a pressuposta necessidade de sustentar a calma, usar o raciocínio (qual?) e lembrar-se de todas as cenas vistas em treinos, filmes ou jornais televisivos (estes, atuais e corriqueiros, e nos quais poucas notícias terminam em salvamento da vítima sob afogamento próprio. Não cabe o trocadilho do afogamento impróprio, mas este é o mundo das metáforas oníricas, assim, salve-se quem deixar de ler!). Melhor ainda se souber nadar, estiver em perfeito condicionamento físico e sem qualquer lesão imobilizadora. E, mesmo que não conste por escrito no tal improvável manual, vale rezar para todos os santos e debitar mais algumas velas nas já postas em fila para serem acesas após o agravo. Também interessa o instinto de sobrevivência, mas este... este é um caso particularmente omisso: nem sempre funciona!
                           Terminou a primeira garrafa de vinho, vem a segunda e meu amigo permanece no tema das prioridades não estabelecidas enquanto razão de todos os males que, de longe, muito de longe, são inegavelmente passíveis de metologização e solução eficaz! Certo! Ele é um grande conhecedor do assunto, mas os goles que atravessaram a minha garganta resolveram formar uma bolha de compressão: mergulho na taça recém-servida e aqueço a ignorância sensível de quem pensa que nem todos os manuais apagam a pena das iniciativas estabanadas.  

                                              “Para ter sucesso neste mundo não basta ser estúpido, é
                                              preciso também ter boas maneiras.”

                                                             Voltaire