domingo, 19 de janeiro de 2014

REVISITANDO UM DISCURSO... A PEDIDO!

           
               DE MERITIS E DA VONTADE DE CADA UM: EMPENHO?           
                                      “Convencido eu mesmo, não procuro convencer os demais.”
                                          Edgar Allan Poe

              Desvelam-se as folhas caídas na redolente noite de outono. Em tépido dourado, despedem-se das árvores decíduas e forram o caminho iluminado pela lua em quarto minguante.  Farfalham segredos aos pés daqueles que andam com a alma em dobra de canoeiro.
            Os homens sonham! Descalços de veleidades vestem a vontade do coração indômito.  Sobre os ombros vergados pairam asas de poder e diligência. Eis, então, que se abrem as comportas do fazer por escolha e as mãos firmes mergulham na paixão ideológica empreitada. Tintos pelas cores da excelência, fazem bem, fazem-no superando as dificuldades.
            Os homens operam milagres! Foi-se o tempo no qual a delonga marcava os versos da poesia em desabrigo. O ser humano tem sede de significados. Instala valores e funda princípios longe do terreno da obrigatoriedade.
           Eles fazem! Os homens justos recolhem a história, maceram-na em suor e boa vontade.  Escolhas ímpares na tutela do destino contrafeito: aceitam as folhas, festejam a lua espraiada. Parcelas embebidas no esforço humano despregam-se vagarosamente, e uma vez livres, inundam sem medo o coração ao lado.
         Exemplum virtutis! À força do exemplo são impelidos os que esperam ou temem.    Os sentidos brotam das mãos calejadas pela faina e varzeiam outras mãos. Mãos atentas e férteis deleitam-se confiantes ante as sementes jogadas ao solo úmido.
         Mãos abertas semeiam o mundo!  Assim sonham os homens justos! Desprovidos de loas, descortinam os passos da própria consciência: constroem sobre bases sólidas, engendram projetos, metrificam a esperança contida.  Não sobra vez à vaidade infecunda.  Sem fímbrias para louros, no silêncio dos olhos, palmas perfuram o brilho que suspende as lágrimas dos homens benemerentes.
          Vitoriosos, eles choram! Pelos caminhos tantas vezes nus, as folhas douradas empertigam-se para festejá-los. E sobre as fraldas das razões do mérito, movem-se eles: recusam-se a permanecer escondidos nas cavernas da timidez ou nas ruelas das incertezas.
            Eclodem! Límpidos! Grandes e pequenos, homens e mulheres que sonham e fazem pelo poder que lhes confere a fé no bem comum. Fazem! Simplesmente fazem!
            Empunham brasões de fidalga maestria e rompem o cerco das tarefas coroadas pelo aguardo da lisonja passageira ou da obrigação camuflada em dever.
            Por entre as folhas secas, a axiologia pergunta sobre a natureza do mérito e...
            Eis que o homem universal responde:
            _ O que está bem feito, bem está.  A glória que me cabe é o sabor da obra feita. Faço-a com os olhos altos e o coração inteiro. Cabe-me, tão somente, o contentamento em vê-la pronta!
            À história que faz do homem o teto da consciência livre: o mérito da gratidão!
                            "A beleza deslumbra a vista, mas o mérito conquista a alma. "

                             Alexander Pope