segunda-feira, 16 de junho de 2014

MUDANÇA DE TÁTICA

UMA VERGONHA QUE EXPÕE VERGONHA MAIOR
         - o Brasil administra com eficiência o esquecimento dos esquecidos –


                             Não me falem dos gastos para com a Copa e seu grande objetivo de integração entre as raças. Empanturrei-me com os discursos servidos ao gosto de cada interesse. Além disso, minha estultice é limitada pela vontade e sede de justiça: uma carência até perigosa, a depender de por onde se pensa que ela começa. Mas sou de paz, da paz e pela paz, então, basta-me dizer: posso imaginar que a péssima maquiagem desta... desta... mundial custa bem mais do que a máscara apresentada.  E igualmente nego-me à epifania dantesca dos egos alvoroçados pelo patriotismo circular, bilionário e de fervor tacanho. Perdoem-me os que gostam dos jogos em foco. Eu, particularmente e com muita ênfase, sou devota do desportismo. Sim, devota: ponho fé nas bolas que rolam diante dos pés descalços, nas corridas de saco e barriga vazios, nos saltos sem vara, nos saltos à distância, nos jogos quase esquecidos pela disciplina da Educação Física, ou reinventados pela própria, no intento de fazer a escola mover-se sem o sonho único de competir, competir, competir.  Amo o desporto sem a maquiagem de grande acontecimento.  Não me engano: as mudanças foram enterradas junto com os objetivos de dar muito aos que já muito têm e ponto final e desse túmulo, os ectoplasmas fecundos continuam a alimentar apenas aos confrades de legião. Razão contrária a qualquer conceito de NAÇÃO e POVO. Povo? Que povo?
                            Visito muitas escolas. Esses sagrados lugares nos quais ainda sobrevive o espírito de vontade e de perseverança, não sem as lutas diárias contra os predadores de ocasião, os predadores infiltrados e aqueles outros, naturalmente mantidos pelo sistema de “faz-de-conta”.  E valha-me o direito de dizer que este discurso é enfadonho, mas a raiva atingiu-me a bílis e eis que se derrama o cálice da repetição. Veneno por veneno, o meu destila-se em poças de espuma: espuma de impotência manca! A pior delas: espoca, espoca e chega o momento em que preciso recolher-me diante do inevitável: estou atrás do texto, lugar confortável para derramar a bílis.  Mas não sem tempo, a política do esquecimento toma-me a boca aberta e sopra-me o hálito da podridão consciente.  Todos estão cansados de saber que é assim e assim é! Pois, ainda que seja, conseguirei deixar sair pelo canto da boca apertada que, enquanto nossos jogadores comem o QUE DEVEM e PRECISAM COMER, as crianças mantidas pelas escolas em regime integral do estado... também comem! Ah! E como comem! É o milagre da multiplicação dos centavos: 0,70 centavos por cabeça para manter um aluno de tempo integral na escola e seu almoço principal. Quero ser contestada. Preciso que mais alguém tenha cólicas biliares, intestinais e intelectuais e procure os registros REAIS nas escolas públicas e façam o cálculo deste valor AO ANO! É isso mesmo! AO A-N-O!
                       E pasmemo-nos todos em bom tom: as crianças estão almoçando na escola. Como? De que forma? Ora... ora...ora... esquecemos que os professores deste país são todos grandes prestidigitadores? Fazem mágicas? Fazem vaquinhas? Dividem o que têm, tiram dos bolsos furados a cornucópia da esperança e juntam tudo na mesma caçarola? Caçarola de escola pública tem a mão do amor e da fraternidade, essas coisitas esquecidas pela maioria de nós, diante do cansaço que diário que nos leva o pelego, ou que nos mobiliza a correr atrás do que já não nos pertence ou gostaríamos de adquirir. Coisas da vida normal.
                          Não tem graça falar sobre este assunto. É velho, batido, não tem glamour, não gera votos.... ops! Gera intenção e administração de votos sim, e sim mesmo! Tudo dentro de uma inteligente, planejada e bem equilibrada plataforma de mão dupla (uma externa, a que aparece nas bocas cheias de dentes, sorrisos promessas e a outra, aquela que cabe não dizer para continuar a manter os desdentados no lugar que lhes pertence: o do esquecimento); para que esses meninos não comam demais e passem a pensar mais e a querer mais (não que a gula ou a gordura excessiva sejam pró-estudo, mas até nossos alunos alcançarem esta fase de excesso... ai!!!! Vai longe a vontade e o medo de que aconteçam!). Ainda, gula por gula, aos glutões que se faça a oferta de trocar de campo. Eis a proposta para a FIFA: investir no campo adequado. Vamos jogar a copa mundial nas escolas da vida. Imagino o placar. Você não?