sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A QUEM INTERESSAR POSSA...

E AS PRAGAS  ALASTRAM-SE

-  que o céu não seja culpado pelo que o homem faz contra a humanidade -

 "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons. " (grifo meu)
                                      Martin Luther King      
                                     
                                       Pelos séculos e séculos vêm pragas e rondam assombros. Aos interessados cabe encontrar roedores estrangeiros para despejarem a culpa. Por interessados, leia-se, sem riscos de interpretabilidade jurídica, responsáveis criminosos; por estrangeiros, não se leia: calar também é mortal! E a ambiguidade é o silêncio pago pelos discursos multifacetados de enfadonha repetição. De manobras em manobras  desavergonhadas este país enterra-se em lama pútrida. Arrasta à morte o povo desassistido como se não fosse crime matar em nome de um sistema que protege 1) as rãs:  continuidade da primeira praga bíblica, elas jamais deixaram de existir e preferem reproduzir-se em solo pátrio, solum brasilia  (rãs declinam o latim das arábias) , motivadas pelo abundante lodo político; 2) os gafanhotos: Sebeque - o deus-inseto do antigo Egito - estabeleceu morada definitiva aqui, difunde-se  em  pançudos gafanhotos, forma enxames, ocupa  o governo desde sempre para sempre com a  garantia de fartas e contínuas devastações - nenhum riscos de controle - comem ostensivamente e engordam as patas traseiras para os saltos impunes. Gafanhotos galgam sucesso e transmitem uma doença incurável  transmitida por contato: corrupção! Os ávidos  polífagos  também beijam, dormem, defecam ... mas esta é outra história; 3) as águas em sangue : o sangue de muitos mineiros misturou-se à lama tóxica que matou Mariana, mineiros que só faziam sobreviver aos gafanhotos de pernas fortes e aos detritos que produzem e liberam em águas alheias: alheias aos peixes, às tartarugas, ao meio ambiente , ao céu que testemunha o silêncio imposto por interesses conhecidamente conhecidos. Ai! repetição infernal! 4) as chuvas de pedras: o Brasil convidou oficialmente aos deuses Íris e Osíris para reinarem sobre os elementos da natureza a partir do Planalto Nacional com honras e méritos. Uai! Claro que ambos aceitaram! O campo está limpo para a guerra entre a água e o fogo e no Portal do Cidadão os deuses queimam oferendas em águas temperadas por lava-jatos e outros aplicativos de alto custo - aos bolsos do povo, óbvio! ; 5) aos piolhos : esta praga exime a si mesma de metáforas e comentários, mas bem que... vi alguns hoje cedo na televisão e, que Tot me desculpe, mas nem ele mesmo esperava por tanto e tantos!; 6) as moscas: moscões, moscas, picadores, insetos comuns às áreas rurais e urbanas - e alguém ainda duvida? ; 7) as feridas: feridas na alma, no corpo , na história não contada, entorpecida, distorcida, desfocada. Feridas marcam o povo brasileiro à bala e à vergonha, à fome e à ignorância, a medo e a silêncio, à pestilência da saúde, com o engodo da educação, à negação da civilidade, com o desabrigo... putrefatas feridas abrem-se às margens plácidas do Ipiranga - sempre estiveram ali, monitoradas de cima e de longe!; 8) a escuridão total: é um privilégio para os que veem o precipício e preferem fazer a volta da ignorância calculada; 9) a morte aos primogênitos: Êxodos é um livro, ou capítulo que trata sobre o trono e suas veleidades. Primogenitura é a tradição de manutenção da riqueza entre os dedos da mesma mão, salvo os demais e pertinentes conceitos. Especificamente no Brasil, esta praga recai de modo torto, ou adequado, sempre adequado, aos interesses de manutenção do poder entre os mesmos bolsos. Primogênitos? Com tantas cabeças a prêmio, os brasileiros se esforçam por acreditar na justiça dos homens, tanto quanto sabem que esta é uma esperança vã. ? Rãs, gafanhotos, piolhos...Não! As pragas não estão em ordem bíblica e nem estão completas neste texto de um só parágrafo. Parece coerentemente suficiente ( e tem mais?): este é um texto de ficção! Não é?


Ivane Laurete Perotti