sábado, 16 de janeiro de 2016

VASSOURA DE BRUXA

 CADÊ MARIANA

- vassouras de lama são tramadas com os fios da política podre e varrem do mapa a justiça humana -

"O patriotismo é o último refúgio dos canalhas."
                                                   Samuel Johnson

                        A barra da saia não esconde o mal feito.  Grandes malfeitos têm ápices em propósitos antecipados tal qual notas de rodapé: servem às lupas ausentes. Na barra da saia, as dobras farfalham frias e secas, tingidas dobras pranteadas em perdas e enganos. Enganosa engenharia depõe o homem de sua estada e serventia: a que vêm as fissuras na costura dos bolsos em saias que Mariana não viu?
                       Estanque-se a lama ! Adeus Mariana...
                       Lembranças arrancadas em tempo real debulham soluços na terra  violada : restos da selvagem e ininterrupta exploração. Não chore, Mariana, a mão que lhe toma o leito é a mão que lhe dá o pão. Não chore Mariana, eis que o silêncio esconde-se no bico da eclipse barrenta... olhos de fogo vazam por mãos  alheias à vontade que emudece as lembranças roubadas. Não chore Mariana !
                     O vento titubeia diante do acréscimo às velas frágeis. Saias não servem à viciosa indumentária dos corruptos  acostumados aos volumes das anquinhas fendidas: saia justa ?Falanges sem dedos apontam-se, valsam números perdidos : quem armou a combinação? Mudos gestos não mudam, trocam de lugar de tempos em tempos e as perguntas desamparadas não vingam: aqui enterra-se uma sentença no túmulo do povo sem tino. Destino?
                     Mariana morre despida de justa atenção ! Em carta náutica traça-se o rumo  da cidade banhada pelo mar de rejeitos:  a rosa dos ventos  procura em vão o paradeiro da justiça no mapa das constelações. Labirinto de saias, saia ! Anáguas vazias , pontas de  toalha  escondem o chão: fantasmas zombeteiros migram famintos na política da podridão. Hão...hão...hão....bem-haja!  Haja bem !Vistas grossas não endossam o processo, e à vinha na vindima não restou um cacho de uvas... Pagar-se-á o impagável débito? No tempo da história curta , o povo grita:  do pó ao pó...
                      Seca a lama em Mariana !   Marinam as "gentes", tantos entes, na esteira da vela: transitiva operação de câmbios e favores toma de golpe a crua gramática das considerações fajutas... a lama não lava o , só vê quem não é...
                       Na dobra da saia o nome da culpa: extração ! Arranca-se da terra o que a terra dá. Arromba-se do homem o que ele não tem. Vende-se a necessidade de acordo com a fome e a quem ela convém: vozes mentirosas enlatam argumentos em palavras mastigadas. Nem uvas, nem velas, nem saias de renda fina escondem o buraco da devastação. Choram rios os mares invadidos... velam-se os homens perdidos!
                      Mariana,  acorda do sono lúgubre ! Mão invisíveis têm nome, codinome: corrupção ! Levanta, Mariana! Estende o leito ...no peito, o jeito que lhe sobra ... garantia à indignação.
                   Cadê Mariana?


Ivane Laurete Perotti