domingo, 8 de maio de 2016

CANTIGAS PARA AMANSAR

FRASES TANSAS PARA O BOI DORMIR

ADVERTÊNCIA:  as frases abaixo causam anomalias semânticas às mentes que se culpam por não letrarem as letras do alfarrábio.
REAÇÕES ADVERSAS: podem ocorrer na primeira frase deste texto e não há comprovações sobre o tempo de ação de possíveis espasmos verbais.
EM CASO DE DÚVIDAS: não consulte os dicionários.

                      A máscara cosia-se na face em pelego sem brocado .Curto pano de teia grossa enroscado em fios de impuro passo.
                      Ia ao largo do rosto aberto o resíduo de um coberto: calos laços, cavoucado à moda dos devassos.
                      No espelho do jugo incerto, olhos vesgos esgueiravam-se; à porta do silêncio discutia-se o calado: de onde partiria o próximo reinado?
                     Vulgos pesos em medidas ajuizadas taramelavam o arguido e o prelado: heresia, fantasia do condenado. Caçapas subversivas, bolas ao quadrado!
                       Havia o aviado, restava ficar parado: outro posto a caminho, quem sabe, um comando assessorado. Mais uma, outra mais,  uma vez entre tantas, traço feito, trato manco, amalgamado.
                       No brocado cosido em pontos de bainha, um vento de fogo forte comia as bordas temperadas: peixe fino e frito não tem miúdos, pesca-se em lago de lodo almiscarado. /ado/.../ado/.../ado/...o bicho está cercado ! Que se levante outra forma nominal, pois dessa última, o texto está enfarado.
                                    O boi dormiu nos joelhos da rima pobre. Pobre rima em particípio, ato falho, pouca veia, rosto torto, fraca teia, verso enforcado.
                                    E era fácil aquele posto, lugar abandonado, sem cancela, nem taramela, fundilho de uma pluma, alvar : atarantada, desmaiada, pluma luna, argola desdentada. Upa! Exagero em pelo...  por sem pôr o pé no coelho, amuleto de chaveiro caído, usurpado.
                                   O boi resfolegou fantasias sonoras entre as frases movediças. O texto esquadrinhava-lhe as ancas carnosas: deixe-se de lado a capa do coxão mole ! O lagarto abriu a boca e a voz entrou pela goela.Anime ela!Fantasia, animela!
                                   Animela não é verbo, é parte do boi franqueado, estranha ao custo da carne viva nos domingos e feriados. Na ponta da agulha o homem prefere a bala, doce de hortelã. Entranha grossa não põe a mesa, faz gosto, desgosto... patinho ! feio pedaço , pedaço feio do tendão. Aquiles? Não, do boi morto e descarnado. Boi  assado, ensopado, omasso sem /h/, outro terço do pedaço. Queixada é para baixo, ladeira do cangaço, rebeldia em pasto alheio não pesa no torso nem fere o regaço.
                                    Torso, rosto, máscaras para boi dormir.
                                    O boi mugiu na performance simétrica dos bovídeos. Amidos causam pesados sonhos, culpa do bolo alimentar, e da negação psicológica do quadrúpede adormecido. Folga, folga, bovino das planícies curvas, e deite-se ao deleite da lomba que vem queimar o pasto do posto feito.

NOTA DE RODAPÉ: TEXTO IMPRÓPRIO PARA O MANUSEIO ASSÉPTICO.
                                    
Ivane Laurete Perotti