sexta-feira, 12 de setembro de 2014

FITO LUAR - texto

FITO  LUAR

Deitou nua
a sombra da lua
sobre o peito do mar...
soprou seu hálito prata,
a ingrata,
para fazê-lo sonhar...
o sonho revirou a alma,
agitou a calma,
fez o pélago implorar
pela face da amante,
pedido extenuante,
... a lua negou saciar!
Perdido em denso desejo,
o mar cantou para o astro,
inflou a onda mais alta:
Diana!
Diana!
Em frêmitos,
e mornos espasmos,
cobiçava tocar
o rosto da lua
nua,
sombra da lua
crua,
oculta parte
distante e fria
tão longe queria
beijar...
beijar...
beijar...
Em prata,
a ingrata,
fingia mergulhar
no abismo do amor líquido
que o mar,
insatisfeito,
só fazia aumentar!
Abismo de amor é segredo de troca,
fundo de roca,
silêncio viscoso,
perfil perigoso,
mancha que cansa
sem medo da lança
... pode atacara!
No hálito prata,
a luminosa ingrata,
odorata,
bebia o sumo
insano rumo
do mar infeliz!
Diana!
Diana!
Diana!
Deitou a sombra
sobre o peito do mar...
amou de longe
deixou-se beijar
mágica lua
tão longe,
tão nua,
... fito luar!
                                     Ivane