sábado, 30 de maio de 2015

FALANDO EM LOBOS

FRASES DESPIDAS E ARRANHADAS

-  do despudor à vergonha sem freio: o que se ensina vem de baixo -

     "Uma nação de ovelhas gera um governo de lobos."
     Edward Murrow

                                      E,  na ponta da vara curta,  um governo de lobos investe na permanente indolência de seu rebanho em apriscos cuja carestia calculada é retorno de controle. Os cabrestos são ferramentas sociológicas de longa data e retorno garantido;  lançados às arenas sociais com  sovéu curto, grosso e bem trançado por hábeis mãos políticas, mantém a população sob o véu da xenofóbica esperança de que, ser brasileiro é uma prerrogativa divina. Deve ser! Tanta paciência não pode ser explicada por nenhuma teoria terrena. Não dá. Nem as ovelhas deixam de balir diante do incômodo caminho pedregoso. Vão, mas reclamam.
                                     Tenho encontrado pessoas e lugares, lugares cheios de pessoas e pessoas de "saco cheio dos lugares", tenho procurado, por necessidade particular, lugares: instâncias sociais e humanas de interação comum, já que transitar por lugares não dá a certeza de encontrar seres humanos, o que poderia ser uma consequência direta de minha busca, mas não o é, enfim. Triste sina de quem acredita estar entre iguais. Mas o cabresto tem função colateral - premeditada e estatisticamente esperada- aperta a nuca e o povo guiado, ao contrário das ovelhas, desenvolve o complexo lúpico seguindo o fiel exemplo daqueles que lhe são exemplo e, mesmo pertencentes ao rebanho conduzido, os lobos ad hoc assumem os seus lugares de pequenos lobos com o poder nas patas. Não sei onde fica o poder do lobo, se é nas patas ou nas orelhas, mas pelas arranhaduras que tenho visto, a primeira versão deve ser a mais verossímil. Basta deixar que alguns de nós assumam pequenos lugares de poder, basta! A síndrome, o complexo, a natureza, a necessidade de ir à desforra social é inevitável - ou não! Procuro um rasgo despido das marcas preconcebidas que exponho aqui, mas não as possuo no momento atual: valho-me de material extenso e amplo, material de campo, campo de guerra diária, diária guerra entre as ovelhas do aprisco controlado.
                                    Panelaço, paralisação, balas de borracha, cacete, lavagens e lavagens, operações e arrastões, conspirações, lá vamos nós, lanudos e lenhados à espera da próxima tosa. Não imunizados para o canis lupus  que habita em todos nós, o manifestamos na família - pai/mãe luposos não conversam, mordem -, no trabalho - chefe lupínico só gosta de ovelhas concentradas, mesmo que inoperantes ( até ele descobrir a improdutividade do corpo presente  e da mente ausente ), na escola, os lobos, os lobinhos e os lobões marcam território de dentro para fora da sala de aula, na saúde... bom... na saúde, os lobos pelados não assustam, tanto quanto não assistem. E sem ambiguidade, ou cheia dela, os pacientes esperam, esperam, esperam e, às vezes, não morrem. E sobre a pele cadavérica, vivamente cadavérica deixam ver as ranhuras cicatrizadas, as várias patas do canis lupus, instituído em seu lugar de poder pela aquiescência das ovelhas arrebanhadas, controladas e quase, quase saturadas. Pelos demais aquecem o cérebro e, mantém eterno o ciclo do comando no aprisco restaurado.
                                 Frases despidas e arranhadas... um lobo passou por aqui!

    Ivane Laurete Perotti