domingo, 3 de maio de 2015

OS CALOS DA ORIGINALIDADE: PULA!

OS SAPATOS DA PRINCESA

- o ranário bípede da raça humana movida pelas leis do comércio: pula! -

                                                  " Há diálogo entre as rãs: elas dispensam sapatos.
                                                     Não há diálogo entre os sapatos: eles encobrem
                                                     o lodo das necessidades criadas
                                                     pelas estratégias comerciais." Ivane Perotti

                                        Hoje é o dia do dia do mês do ano de qualquer coisa que se permita vender , ou que  se venda sem permissão! E lá pulam os bípedes humanos com suas sacolas cheias de tudo o que não necessitam, mas acreditam precisar: de coisas às palavras, tudo se vende, tudo se põe à venda -  uma vez que a performance do compartilhamento também cobra uma baita quantia, deixar de vender a imagem da perfeição pessoal  ( aquela que tanto custa manter aos olhos externos ) pode gerar ônus às doenças do ego torto.  E lá vão os seres vendados e vendidos a soltarem suas pérolas de poder e persuasão. Não sem um preço deliberadamente consciencioso, convidativo, comemorativo e emocionalmente apelativo. As rãs não merecem a comparação mas, no momento elas pulam descalças em minhas alusões e não papagueiam datas nem valores destituídos de pudor.
                                      Explico a indigestão ideológica: alguém já leu as babaquices melodiosas que rondam as páginas sociais em dias de alguma coisa? Exemplo: os "caras" passam o ano inteiro falando mal da mãe, tratando mal as mulheres, comendo as filhas dos outros (óbvio!), negando as próprias e, feito papagaios - que me perdoem os penadinhos, eles não têm responsabilidade alguma sobre as alegorias que lhes caem às costas, pois apenas repetem quando ensinados a repetir: e essa, essa é uma prerrogativa humana - derretem o fel em  mel. Alguém engole? Se engole, pelamordeDeus , as rãs dialogam, as princesas repetem os sapatos - pelo menos é o que dizem os tabloides preocupados em contar as vezes que o mesmo sapato calçou os pés da princesa/duquesa britânica - o Nepal desaparece, os professores apanham,  a corrupção gera costume, os preços sobem, a qualidade de vida desaparece, o amor vira propaganda e...a população pula! pula atrás do carro-chefe das estratégias comerciais! Santo Graal da ignorância dominada! Custa pensar um pouco? Custa tentar ser coerente?  Custa desconfiar um pouco do que se nos servem em prato pronto? Ah! Amo as rãs!  Até mesmo por que  elas, as rãs, devem ser felizes até compreenderam o motivo de criarem-nas em ranários com as condições adequadas, climatizadas, balanceadas à... gastronomia. Mas a fauna obedece a um calendário natural de necessidades, e se têm valores, têm-nos  dentro do processo decorrente de seu habitat: não CRIAM calendários para vender emoções, nem falácias, nem sentimentos que se apagam ao final de qualquer experiência real.
                         Amo as rãs e as pessoas descalças. As primeiras saltam, as segundas têm opção - ou não! a depender  do seu entorno ou das necessidades ordinárias que lhes tangem os pés. Amo a coerência tranquila que não envia cartões de felicitação, que não compra presentes para mascarar a falta de amor, a culpa e a descrença, que comemora a vida na decorrência simples de todas as suas incompletudes. Quer  marcar a vida de alguém? seja verdadeiro, até mesmo quando nada tem a dizer! Quer valorizar o inestimável papel das mães na evolução da humanidade? Então, ore, reze, chore, medite, abrace, pense todos os dias, em todos os momentos que, há um mito atrás do rito. E se a princesa repete o sapato, sabe ela onde aperta o calo. Se as rãs pulam, elas estão se deslocando. Se os papagaios repetem, fazem-no pela insistência do meio.
                            Custa ser original? Custa! Mas não cria calos!

                                      " Não sei quantas mães sobrevivem hoje
                                        no calendário dos filhos,
                                       mas sei que algumas delas, choram o dia
                                       em que decidiram colocar-se lá." Ivane Perotti
                           

Ivane Laurete Perotti