segunda-feira, 1 de junho de 2015

TEXTO MOTIVADO POR UM AMIGO VIRTUAL EM LEITURA CRITICA

 ATLAS DA AMERICANIZAÇÃO SELVAGEM

- na solidão do canis latrans, o instinto chama para agrupar-se a favor do vento -
                               
  " Há figuras difusas rodeando o panteão dos mitos sul-americanos e, dada a familiaridade com a 'carocha' da modernidade perniciosa, não se vê mais crianças assustadas com pueril a mula sem cabeça. Vê-se, sim, adultos, bem crescidos e acuados, tremendo diante das alegorias que transpassaram o poder figurativo da linguagem - esse rio de possibilidades associativas Existem monstros? Sim, existem, e a maior parte deles aprendeu a voar." Ivane Perotti


                                      Na virtualidade das amizades que a web propõem, trocar ideias está próximo ao trivial ato da troca de roupas. Não com a mesma necessidade ou intenção, claro; pode-se aventar que trocar ideias é muito mais salutar e prazeroso do que o dissonante e regular desnudamento ou troca de vestuário, incluindo aí os ponderáveis exercícios de sujeitamento social, formação discursiva, desvelamento cidadão, formação de opinião, economia, ecologia, naturismo, estética  entre outros paradoxos produtivos.  Contudo, discutir saúde e hábitos externos à pelagem que nos recobre - penugem? - é um gancho em gládio, bem longe das bigas, dos tritões e falastrões que talvez aplaudissem o tema:  " roupas, para que vos quero, quando o mundo assoma pelado às voltas de expor o que ia - vai?, continua? - por baixo dos panos?."
                                      Ah! Jogar palavras à mesa - com ou sem toalhas - é outro exercício que a internet facilita. E não impede que uma palavra Nahuati aporte aqui cheia de pelos e asas. Explico: pelos, sim, asas, talvez. As últimas fazem parte do coroamento figurativo que a verve compartilhada me impõe. Penso nos canis latrans, coiotes americanos, típicos da América do Norte e América Central em sua vivência quase que imperiosamente solitária. Quase que... Mamíferos inteligentes! A imagem da solitude impregna-os de digno comedimento - ou não!, solidão com consciência é ganho de causa ( causas) na fauna terrestre, independente dos pelos e das patas - números, hoje, fazem parte de equações sem grau - e que me desmintam os professores de Direito Civil. Mas, há divergências, sempre há divergências! E devo a elas, às divergências, a metáfora das asas: coiotes com asas aportam em qualquer lugar. Até na consciência dos que formam matilhas para facilitar o controle do habitat  - não natural - e do extrativismo criminoso sobre recursos alheios. O canis latrans, apesar do nome e suas alusões semânticas, é um carnívoro que facilmente se adapta a lugares e situações e até inclui em sua dieta frutas, insetos, peixes... ou seja, ele se vira! Infelizmente, a prova desse dado é científica: acostumado a caçar para sobreviver, o coiote, em contato mais próximo com o homem, nutre-se normalmente de ratos encontrados nos lixos. Está aí a sua prestação de serviço de cunho social , enquanto a formação de matilhas faz parte de suas tendências oportunistas e, cá entre nós, aí vão asas e coroinhas - diminutivo de coroas - não!, nada a ver com a idade ou com os serviços prestados aos padres -, auréolas mesmo, pequenas guirlandas que poderiam torná-los simpáticos às causas matilhescas. Contudo, indivíduos solitários não têm território, nem QG, nem base aliada, nem... ah! essas coisas todas que fazem parte da lei da urbana selva politicamente humana.
                       Bom, este era só um pretexto, mais um, para trocar ideias! para deixar a pelagem, penugem, descobrir-se diante do pensar e brincar com a linguagem: figuras figuram a realidade premeditadamente humana.
                        Entre os canis latrans, há um canis latrans cagottis... e, qualquer alusão sonora, morfológica e/ou semântica é culpa do lobo, coiote ou coisa que se valha, já que ao homem basta-lhe a própria matilha esfomeada - pelo alheio do alheio!

                         Ao meu amigo virtual, pelas ideias trocadas e pela motivação de pesquisar. A sua vez agora!
Ivane Laurete Perotti