sexta-feira, 9 de outubro de 2015

UMA AÇÃO E UMA PARTILHA

EM CAMPANHA PELA SAÚDE DA EDUCAÇÃO
PARTE I

DÉSPOTAS DA IN-DUCAÇÃO: FAMÍLIA E ESCOLA PRECISAM FAZER O DEVER DE CASA
- quando o respeito e o amor despregam-se de um educador sobra-lhe apenas a mão opressora -

"A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria. "
 Paulo Freire


                                 Existe um tipo de coerção que se dá por veias invisíveis e penetra a alma exposta  drenando a vontade imberbe, afogando o sujeito em formação, cristalizando medos, desfazendo o respeito pela voz do outro, forçando verdades. Feito agulha no braço, invade a carne e fere mais fundo, mais fundo à medida em que se perpetua a força da pressão.
  
                                    Por que veredas escondeu-se a alegria e a boniteza do aprender escolar? Por que valas  da impaciência, da humilhação e do desrespeito vagam o espírito maduro dos educadores ? Perdemos a utopia necessária à voz da sala de aula?
                                   Tenho ouvidos machucados. Vejo janelas quebradas grudarem-se sem saída à palma aberta de estudantes perdidos, inquietos, desmotivados. Vejo portas fechadas que escondem professores perdidos, acuados, doentes e cansados.

"Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo."
 Paulo Freire

                                 Sinto os estilhaços de vozes iradas retumbarem em sentidos que não recupero: uma guerra de lugares marcados instalou-se na escola brasileira, território de inimigos declarados estabelece fronteiras de poder e opressão. Pais cansados abandonam os filhos à porta da INSTITUIÇÃO ou da ESCOLA? Professores esgotados sinalizam o abismo que se cava todos os dias diante de um ensino sem sentido. Dois lados debatem-se em profunda agonia.
                                 Onde foram enterrados os valores de partilha e cumplicidade na formação do homem social? Por que o ato de ensinar deve ser doloroso? Deve? Desprazer, desamor e limites rompidos chocam-se desalinhados pelas salas de aula esvaziadas de humanidade, cooperação e tolerância produtiva.
                                    Gentes  /de/formam-se dentro da INSTITUIÇÃO que poderia servir de lugar para a pedagogia da aprendizagem. Gentes atracam-se e combatem um combate fracassado pelas salas onde a "aula" deveria ser um princípio e não um fim despótico.

 "Me movo como educador, porque, primeiro, me  movo como  gente."
Paulo Freire

                        A mochila de peregrinos abatidos, acuados , dispersos e precocemente entediados pesa no lombo das instituições família e escola. Do estatuto do amor nada se fala. Do estatuto do respeito às singularidades, apagou-se a humanidade. Dos parágrafos da história que ensina as lições a serem revisitadas não se sublinham os métodos de aproveitamento.  Apenas a régua de medir resultados capitalizados se estende sobre cabeças e classes. Professores e alunos são vítimas do mesmo sistema.


"Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso. Amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade."
Paulo Freire

                                Vale o diálogo otimizado das vozes que se constituem e fundam em sociedade? Valeria, se os lugares dos sujeitos envolvidos tivessem instalassem  ouvidos de educador, ouvidos de pais, ouvidos de estudantes comprometidos.
                              Crimes silenciosos são cometidos diariamente e só sabemos da morte quando tomba o corpo diante das balas perdidas. Vilipendiar é um verbo transitivo direto: rebaixa o emissor e o destinatário.
                               Vale salvar a escola? Vale comprometer a família?

"Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor."
Paulo Freire


Ivane Laurete Perotti