quinta-feira, 7 de julho de 2016

IN-DIGNOS: TORNOZELEIRAS DE PRATA



DE VOLTA ÀS ORIGENS

- do povoamento à formação atual: um Brasil de generalizações -

"Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade" Sócrates

                                      Diante da nau que partia buscando mais compatriotas, o condenado  sentiu pela  a liberdade quase profana tomar-lhe os ossos. A nova terra prometia céu, sol e água pura para saciar a sede de vencer a preço de conveniência. Um entre muitos, ficou e fez história na  linhagem  de uma nação que sequer sabia, naquele momento, temperar com o seu caráter réprobo. E antes que o politicamente correto tomasse lugar em suas conjecturas, o sentenciado disse alto e em boa voz lusitana: venho para o bem dessa terra de ninguém, pois que antes tome-a eu, pela retidão de minha vontade, do que a deixe para um forasteiro nefasto. E assim se deu.
                                    Embrulhados em precárias flâmulas políticas, dançam diante de nós a temperança fraudulenta - a saber que tal "temperança" é a figura da ironia brasileira, do tipo que carnavaliza as falhas de caráter  ao sabor da Idade Média . Contrários ao comedimento, os vassalos da ganância disseminam-se maciçamente: da corte ao plebeus, dos plebeus aos filhos de algo/fidalgos/, dos fidalgos aos bastardos, dos bastardos aos comissionados pela posição. Aos sem eira nem beira, o crédito pela selvageria da precária seguridade.
                                    À beira de uma política da desonestidade, nosso legado é funesto. Estaria no sangue, nas veias e na genética tamanho impulso para as falcatruas de grande monta? Formar quadrilhas tornou-se ciência: venha a nós o vosso dinheiro, a vossa merenda, as vossas calças... Fatiotas impecáveis transitam pelos corredores da vergonha nacional. Farpelas nutridas a bom prato - ratos da nação - ainda alcançam discursos de arguta defesa e pagam com o dinheiro afanado as custas da liberação. Custa acreditar que tenhamos voltado ao início de nossa história e a refaçamos com tamanha galhardia. Discurso politicamente correto? Ora! Quem for capaz que anuncie a primeira definição. Cadê as pedras?
                                    Tornozeleiras eletrônicas - algemas de tornozelo - não limitam as mentes criminosas; no máximo, esses "adereços" em execução de justiça, parafraseiam o cárcere indiano imposto a algumas mulheres: dos saris às joias de peso/preso, as eletrônicas não pesam - pelo menos no corpo, pois que a moralidade de um imoral não tem espaço para melindres de decência , pruridos de vergonha ou consternação. A desonestidade começa em outro lugar: qual? "Ao contrário do que se diz, não é a ocasião que faz o ladrão. A ocasião faz o roubo, o ladrão já nasce pronto." (Olavo Bilac)
                               Apostas abertas:   "Nunca ninguém perdeu dinheiro apostando na desonestidade." (Millôr Fernandes) - quantos mais precisam ser despidos de suas farpelas ( típicas bolas feitas de trapos e usadas pelas crianças lusitanas para imbricar um jogo ) para reiniciarmos do menos zero? Se é impossível refazer a caminhada genética, no mínimo, a depuração moral pede por uma oportunidade para a educação e uma educação para a oportunidade. Uma vez que, "O pior mal é aquele ao qual nos acostumamos." (Jean-Paul Sartre)
                             Sem apostas!

Ivane Laurete Perotti