quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CORNITUDE, ESTADO MÓRFICO

SOFRÊNCIA ATEMPORAL
      - na contramão dos versos musicais, o sofrimento é uma pérola -

                              " E é nisto que se resume o sofrimento:
                               cai a flor, — e deixa o perfume
                               no vento."
                                    Cecília Meireles

                                              Existia, em algum lugar, um monge peregrino. Itinerante, longevo e solitário, cantava odes à vida e ao amor.
                                              Em uma de suas conversas perdidas, respondeu ao interlocutor curioso:
                                              _ O sofrimento não me visita. Eu o recebo antes.
                                              Irrefutável: o  monge nunca existiu. Pelo menos, não existia até instalá-lo nesta  página, lugar de  lânguido passeio pelas dores terrenas  ao feitio daqueles que pisam as uvas na vindima. Ui!-alusão consciente aos discursos enfáticos, aforísticos e tomados de empréstimo de uma figura folclórica no contexto atual... que se negue o nome, uma vez que o homem passa à frente de suas palavras sentenciosas . MMAI! Palavras de peso pena! Nocaute ao arranjo das frases soltas no ringue da articulação. Box de ideias sem parentes, caixa de imaginação.
                                             Mas, o monge cantava frases musicais, versos sonados, notas de inspiração,  entre outras coisas do gênero  que deixariam qualquer otimista em estado de abundante garantia: ah! viver é um deleite sem fim. Cornitude é um estado morfológico entre aspas - / " "/... e sofrência é a fusão entre duas palavras xenofóbicas mais frases com poética marcação (lugar-comum é um espaço partilhado por todos): longe dos olhos, longe do coração; sem fronteiras não há solidão que se preze;  amor que não passa, não trai nem esmaga não é amor, é falta de... ops! não se permite a rima. Perdão!
                                           Pois, longe de Douro, em Portugal, o monge e suas canções não fortificaram nem o vinho, nem as alegorias moralistas. Paremias à parte, a parte que me toca é um aparte interlocutivo, pretexto para deslindar o texto e dizer do sofrimento: pérolas da inspiração humana, profilaxia da alma, método alçapão ( pega-se o rato que come no prato e deixa o pão/queijo que é queijo fura os olhos do ladrão...). Tudo porque ouvi a letra de uma música e compreendi que ouvia as letras das músicas em consonante antecipação. Necessidade pessoal de reler A intuição do instante, de Bachelard, ao som de... de... Bach! Johann Sebastian Bach, cravista e professor, com régio honor! Vem e vai e o sofrimento permanece como a fonte que desce do Monte Olimpo e rega a Terra. Sem guerra não se faz ... ai! eu juro que a rima fugiu e quase, quase a transcrevi em desordem de atenção!
                              Palavras são emoções em atrito com o papel, lembrando que Joaquim Mattoso Câmara Júnior esteve a ponto de escrever algo parecido: mas, eu o li antes. Li Mattoso e queria tê-lo conhecido na época em que fazer academia era um grande mote à elucubração. Pensar, pensar e pensar  corresponde a malhar e malhar e malhar ( em todas as acepções da palavra emparelhada a ferro...). Que seja estimulada a ciência da musculação, contudo, eu aludia ao ato da potoca, da peta e do fino trato dado à capacidade humana de fofocar: carapetão!

                            O monge instalado não gosta de azaração
Texto: Ivane Laurete Perotti